Gato escaldado tem medo de água fria, diz o ditado.
E por isso, e talvez só por isso, o são-paulino mais fanático vem refutando o rótulo de favorito ao título do Campeonato Paulista. Ainda encontra motivos para tratar com desconfiança.
A gente entende os motivos. Mas sejamos francos: passou da hora do Tricolor ser feliz. E o rendimento que sua equipe vem demonstrando em campo é um motivo mais do que contundente para a alegria e os sorrisos voltarem a ser rotina no Morumbi.
O duelo da noite deste sábado (21) era mais um teste de fogo para o time que em menos de dois meses passou tudo o que passou. Afinal, desde que foi comprado uma empresa austríaca de bebidas, o São Paulo nunca tinha vencido o Bragantino em seu território. Pois bem, fim de tabu.
Na noite em que Hernán Crespo alcançou sua maior sequência invicta como treinador tricolor (sete partidas), o clube do Morumbi se impôs, mostrou o peso da sua camisa e conseguiu uma vitória fácil sobre o alardeado adversário por 2 a 1.
Sorria são-paulino, você é semifinalista do Paulistão. Agora resta esperar a definição dos outros duelos para saber quem será o adversário. E por consequência quem será o mandante. Sabemos apenas que o duelo de jogo único ocorre no próximo final de semana. Na tabela de classificação geral, soma 16 pontos e ocupa temporariamente a terceira posição, o que lhe dá grandes chances de ser o dono do campo no confronto (que não será no Morumbi, interditado por conta do show do AC/DC)
Para a partida desta noite, Crespo realizou apenas uma alteração em relação ao último jogo: voltou Bobadilla, recuperado de contusão, nos 11 iniciais, no lugar de Pablo Maia, mantendo a esquematização do 4-4-2 que vai se confirmando como o time titular da temporada.
A decisão se mostrou acertada. O jogo começou meio complicado para o Tricolor, já que o Bragantino avançou suas linhas e buscou marcar o São Paulo já na saída de jogo. Foram 20 minutos iniciais de um certo domínio dos mandantes, mas que não necessariamente culminou na criação de chances efetivas.
Mas acima da qualidade coletiva, o Tricolor conta com ótima individualidade, jogadores cientes de suas funções táticas, visivelmente motivados e entrosados. E assim não demorou para o cenário se reverter. O meio-campo conseguiu desmanchar a marcação adversária, que só não resultaram em coisa além pelos erros de passes do time na construção das jogadas.
Para piorar, o time sofreu um momento de instabilidade quando Lucas Ramon caiu na área após disputa de bola e reclamou de um pênalti não marcado. Como consequência, o Bragantino aproveitou e exigiu uma defesa milagrosa de Rafael que poderia mudar o rumo do jogo.
Mas estamos falando do São Paulo. E a resiliência se tornou uma marca desse time. Assim, após o susto, as coisas voltaram aos eixos. Dessa vez para resolver logo a parada. Aos 39, em um contra-ataque na medida Lucas Ramon partiu sozinho pela direita e cruzou. Luciano tentou o desvio, errou, mas o goleiro dos caras vacilou e espalmou a bola para o meio da área, onde Bobadilla apareceu para finalizar e marcar o primeiro gol tricolor.
Na volta do intervalo, aos 6, as coisas caminharam para uma definição. Em excelente jogada ensaia de bola parada, Danielzinho mandou para a área, Luciano escorou de cabeça e Lucas, completamente sozinho, empurrou para o fundo das redes.
O domínio era tanto que as coisas pareciam resolvidas com um Bragantino apático. Mas as alterações no time são-paulino bagunçaram um pouco a disciplina tática e melhorou a produtividade dos mandantes. Aos 27, o susto, com Gustavo Marques desviando cobrança de escanteio para diminuir o placar.
Poderia ser o prenúncio de uma reação bragantina, mas ficou no só. O São Paulo acertou o compasso tático em campo e os mandantes não conseguiam imprimir o seu ritmo para chegar com sustância no ataque, pelo menos até os acréscimos, quando o jogo virou uma loucura pela expulsão do zagueiro Alan Franco, que nos acréscimos fez falta intencional para parar um contra-ataque e levou o segundo cartão amarelo. Teve até o goleiro deles subindo à área para tentar empatar e acabar sendo derrubado por Pablo Maia o que deu um princípio de confusão para aflorar os ânimos, como pede uma boa decisão.
Agora classificado no Estadual, o São Paulo volta suas atenções para o Brasileirão, onde ocupa a liderança. Enfrenta o Coritiba às 19h30 (de Brasília) desta quarta-feira (25), fora de casa.










