Justiça determina quebra de sigilo de Casares e acusados em Escândalo do Camarote

Casares e Schwartzmann nos tempos que eram diretores de comunicação (Rubens Chiri/SPFC)

A Justiça determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de todos os envolvidos no esquema de exploração clandestina de um camarote no estádio do São Paulo.

A informação foi divulgada inicialmente nesta terça-feira (2) pelo portal ‘Globo Esporte‘.

A decisão atinge diretamente o ex-presidente do clube, Julio Casares, sua ex-esposa e ex-diretora Mara Casares, além dos ex-dirigentes Douglas Schwartzmann e Marcio Carlomagno, e a intermediária Rita de Cassia Adriana Prado.

Esta é a primeira medida cautelar que alcança Casares neste inquérito — ele também é investigado por suposta lavagem de capitais no clube.

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O pedido, aceito pela Justiça, foi feito pela Força-Tarefa composta pelos promotores José Reinaldo Carneiro e Tomás Ramadan (MP) e pelo delegado Tiago Correia (Polícia Civil). Com a medida, os investigadores terão acesso integral às movimentações financeiras e fiscais dos alvos nos últimos anos.

A decisão se baseou em materiais apreendidos na casa de Rita de Cassia, em depoimentos e em dados fornecidos pelo São Paulo sobre a distribuição de ingressos de shows.

O caso, revelado em dezembro do ano passado, entra em sua reta final: quase todas as testemunhas e investigados já foram ouvidos, restando apenas o depoimento de Marcio Carlomagno para o avanço da próxima fase.

O caso tem origem na utilização do camarote 3A do Morumbi, espaço institucional vinculado à presidência, durante o show da cantora Shakira, em fevereiro do ano passado. Segundo a apuração, o espaço teria sido repassado informalmente e acabou explorado comercialmente por terceiros, gerando faturamento de cerca de R$ 132 mil.

Em áudios que vieram a público, os dois envolvidos discutem a operação e admitem irregularidades, com Schwartzmann afirmando: “Houve negócio aqui em que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou”.

A situação se agravou quando a intermediária da operação acionou a Justiça após conflito com uma empresa parceira, levando os dirigentes a pressioná-la para retirar a ação. A repercussão do caso resultou no afastamento dos envolvidos, abertura de sindicâncias e desdobramentos políticos internos que culminaram na renúncia de Júlio Casares à presidência e na demissão de nomes ligados à condução do episódio.

Como consequências do escândalo, Mara, Schwartzmann e Carlomagno foram expulsos do clube. O processo que pede o mesmo destino a Casares tramita no Comitê de Ética.

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