Demitido em junho de 2026 após mais de cinco anos como executivo de futebol do São Paulo, Rui Costa abriu o jogo sobre algumas polêmicas que enfrentou nos últimos meses como profissional do clube.
Em entrevista ao GE.com publicada nesta sexta-feira (9), Rui revelou que Filipe Luís era o plano A do São Paulo após a demissão de Crespo para o comando técnico, além de falar sobre a polêmica situação de Arboleda, que abandonou o clube por um mês.
“Quando se entendeu que havia necessidade de troca, o Roger não foi o primeiro nome. E era natural que não fosse porque nós sabíamos que a rejeição seria muito grande. E o nome que se falava era do Filipe Luís (ex-Flamengo). Mas como falar com o Filipe Luís estando o Crespo empregado? Não era do nosso feitio. Então, uma vez que o Crespo não estava mais vinculado, nós fizemos uma conversa com o Filipe”, contou.
“O Filipe não estava em clube nenhum. E nós conversamos com ele para entender o que queria. Conversamos demoradamente, um cara extraordinário. E ele mostrou entusiasmo com a questão do São Paulo. Mas relatou que ele tinha vivido um momento difícil de saída do Flamengo”.
“Eu fiquei encantado conversando com ele, estou revelando isso agora não como uma forma de desvalorizar a contratação do Roger, porque eu defendi a contratação do Roger. Mas era impossível ter resultados naquele ambiente que ele estava, como forma de isentá-lo dessa responsabilidade”.
“Nós tínhamos um nome que talvez fosse muito mais palatável, muito mais revelador de ousadia e que me colocaria em um patamar de popularidade de ter contratado aquele que foi dispensado sendo multicampeão. Quando o Filipe, de forma muito clara, nos deixa a impressão de que levaria muito tempo para tomar a decisão, tempo que nós não tínhamos, vários nomes foram considerados”, explicou o ex-dirigente tricolor.
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O episódio Arboleda
“Primeiro que, quando eu cheguei, o Arboleda tinha um salário, por merecimento dele, totalmente incompatível com o que ele representava do ponto de vista técnico. Estou contando isso para entender como é a minha relação com o Arboleda. Eu devo ter feito duas renovações dele. Fora esses pequenos atrasos que eram quase inerentes à conduta dele, porque ele ia para o Equador e do Equador tinha que ir para não sei onde, ele sempre mostrou muito profissionalismo”.
“Para mim, ele errou quando se afastou, ficou um tempo fora e aí claro sempre que podia mandava justificativas. Foi a primeira vez que eu vi isso na minha carreira. De um jogador relacionado para concentrar, não aparecer. E olha que eu trabalhei com jogadores difíceis”.
“Mas, naquele momento, ainda mais com tudo que eu estava vivendo, não podia ser conivente. Não estou dizendo que se foi conivente depois, o processo de reintegração dele é um processo muito bem feito pelo Rafinha e pelo Dorival”.
“Ele disse que estava com problemas emocionais. Eu tenho muito orgulho de como eu tratei essas questões humanas no São Paulo, porque sempre fiz prevalecer o aspecto humano. Foi assim com o Alisson, com outros jogadores que eu não vou falar porque não expuseram os problemas”.
“Se o Arboleda tivesse procurado a mim ou o Rafinha, especialmente a mim, porque que eu era o cara que mais conversava com ele, e tivesse me dito que estava com um problema emocional, eu seria o primeiro a garantir que ficasse dois, três meses fora do clube”, afirmou Rui Costa.










