Pode-se ter uma diretoria criminosa. Pode-se cometer erros primários de gestão. Pode-se criticar o elenco. Pode-se achar o técnico ruim. Pode-se considerar os jogadores fracos.
Mas tem uma única coisa que nunca deve-se ser colocada em dúvida: o peso da camisa do São Paulo.
E se o desempenho no Campeonato Paulista está abaixo do esperado, pelo menos no Brasileiro o torcedor tricolor teve um alento de que as coisas podem sim ser melhores e que há razões para se ficar otimista.
Pois bem, na estreia do diferentão Brasileirão deste ano, começando logo agora, o São Paulo mostrou que, acima de qualquer coisa, tem coisas que o dinheiro não compra. E, acima de tudo, é preciso se respeitar o único brasileiro tricampeão do mundo.
Contrariando todos os prognósticos e expectativas, acalmando os mensageiros do caos e ganhando fôlego contra os problemas fora de campo e a crise no Estadual, o Tricolor venceu o Flamengo de virada por 2 a 1 nesta quarta-feira (28), no Morumbi. Pontos essenciais e fundamentais, conquistados sobre o ‘bicho-papão’ do futebol nacional, caso o objetivo de Hernán Crespo seja realmente só somar os 45.
Foi uma noite de certezas para a equipe tricolor. De uma equipe consistente, que permitiu a impressão de estar sendo dominado pelo adversário carioca, mas que desde o início conseguiu desempenhar e jogar.
No primeiro tempo, apesar dos vacilos pontuais do sistema defensivo, que voltou a figurar com três zagueiros, que permitia a aproximação demasiada do Flamengo na intermediária da área (isso relevando o ‘passe’ de Arboleda em uma chance deles), o São Paulo articulava, mas sem construção efetiva.
Teve muitos problemas para o passe decisivo no terço final do campo, para criar jogadas mais efetivas. Nas duas vezes que funcionou a aproximação ofensiva, Luciano e Calleri perderam chances claras para abrir o placar.
No segundo tempo, tudo mudou.
Logo aos 8, Alex Sandro cruzou para Pedro ajeitar com o peito na área para Gonzalo Plata bater sem chances para Rafael.
Era a volta de velhos fantasmas. No clássico do final de semana, o São Paulo parecia te as coisas em ordem e perdeu gols decisivos antes de tomar os gols do Palmeiras e sair derrotado.
Mas a noite era especial. A competição era outra. E no Morumbi o bicho pega…
Aos 15, Marcos Antônio virou o jogo para Enzo Díaz cruzar na medida para Luciano (sempre ele em jogos grandes), subir mais que a defesa e testar para empatar.
Se o empate já poderia ser considerado uma surpresa para alguns, o time de Crespo resolveu mostrar que é hora de dar uma resposta à torcida. E aos 25, Pulgar interceptou um passe de Luciano errado e deu a bola de presente para Danielzinho se antecipar à marcação e sacramentar a virada são-paulina com seu primeiro gol marcado pelo novo clube.
Animicamente estável, coisa que não aconteceu ante o Palmeiras, foi hora de se valer da vantagem no placar contra o temido adversário.
Se a vitória foi circunstancial ou de fato é a prova de um novo tempo para São Paulo, a torcida só saberá a partir de domingo (1/2), quando enfrentará o Santos em casa pelo Paulistão, precisando da vitória para escapar da luta contra o rebaixamento. Pelo Brasileirão, volta a campo na quarta-feira (4/2), na Vila Belmiro, novamente contra o rival litorâneo.










