Casares se torna o 11º presidente do São Paulo na história a renunciar

Julio Casares posta foto tomando sol antes de assumir a presidência, em 2021 (Instagram)

Julio Casares desistiu. Com o processo de impeachment tendo a abertura aprovada pelo Conselho Deliberativo na semana passada, o ex-mandatário tricolor não suportou a pressão da torcida e das denúncias contra ele que são investigadas pela Polícia Civil e Ministério Público e não quis pagar para ver na assembleia-geral de sócios: anunciou sua renúncia no fim da tarde de quarta-feira (21) e deixou oficialmente o clube do Morumbi.

O gesto aproxima Casares de Carlos Miguel Aidar, que também renunciou à presidência do Tricolor em 2015, em meio a acusações relacionadas à sua gestão.

Ou seja, trocando em miúdos, em menos de dez anos, é o segundo caso de presidente que deixa o comando do São Paulo com o nome envolvido em acusações de corrupção. Institucionalmente, não deixa de ser triste.

A sequência faz parecer que é habitual mandatários renunciarem ao seu posto no Tricolor. Mas a verdade é que a sequência recente de gestões nefastas encobrem décadas de competência.

Nos últimos 79 anos, eles são os únicos presidentes do clube a deixarem o cargo dessa forma.

Em um recorte histórico mais distante, nos primórdios da fundação são-paulina, entre 1935 e 1947, oito mandatários renunciaram, sendo que um deles o fez em duas ocasiões.

O estatuto do São Paulo prevê a possibilidade de inelegibilidade por até dez anos, mas não a vincula à destituição. Por isso, havia interpretações distintas sobre as consequências da queda de Casares. Na esfera cível, ele é investigado pelo MP-SP por gestão temerária, com base em déficits superiores a 20% da receita bruta em 2021 e 2024. A Lei Geral do Esporte também prevê impedimentos para dirigentes afastados por gestão temerária ou fraudulenta, pelo período mínimo de dez anos ou enquanto perdurarem os efeitos de eventual condenação judicial.

VEJA AS ÚLTIMAS DO TRICOLOR:
>> Calleri não sabia da demissão de CEO, cobra reforços no São Paulo e revela recado do novo presidente
>> “Tá todo mundo bolado por tomar 3 gols em casa”: Dória admite impacto da derrota no São Paulo

>> SÃO PAULO 2 x 3 LUSA: ANÁLISE E COMENTÁRIOS – O RECADO DO CAMPO FOI CLARO: O ELENCO PRECISA DE REFORÇOS
>> CRESPO NÃO GARANTE PRESENÇA DE LUCAS EM CLÁSSICO CONTRA O PALMEIRAS NO SINTÉTICO: “DEPENDE DELE”
>> ASSUMIU A CULPA: Apesar de marcar dois, Calleri se desculpa por gol perdido em derrota do São Paulo

FUTURO SOMBRIO PARA O EX-PRESIDENTE

A renúncia de Júlio Casares à presidência do São Paulo ocorre no contexto de um conjunto de investigações conduzidas pela Polícia Civil desde o final do ano passado. O agora ex-presidente é alvo de apurações relacionadas a saques em dinheiro vivo realizados nas contas do clube e a movimentações financeiras consideradas atípicas pelos órgãos de controle. O inquérito está sob responsabilidade do delegado Tiago Fernando Correia, da 3.ª Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração e Combate à Lavagem de Dinheiro (Dicca).

O delegado afirma haver “consistentes indícios de que uma suposta associação criminosa estaria operacionalizando um sofisticado esquema de desvio de recursos e apropriação de valores”. A Polícia Civil conduz a investigação principal, enquanto o Ministério Público atua em duas frentes: uma voltada ao suposto esquema de desvio de verba e outra dedicada à apuração de gestão temerária, com foco na origem da dívida bilionária do São Paulo.

Os investigadores analisam 35 saques em dinheiro vivo realizados entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, que somam onze milhões de reais. Os bancos responsáveis pelas contas classificaram as operações como “atípicas e incompatíveis com a prática de mercado para uma entidade deste porte”, destacando a dificuldade de assegurar a destinação dos valores. Os 33 últimos saques ocorreram com apoio de empresa de carros-fortes, método que, segundo a polícia, dificulta o rastreamento do dinheiro.

Paralelamente, os investigadores identificaram depósitos em contas ligadas à família do dirigente. Entre janeiro de 2023 e maio de 2025, houve depósitos de R$ 1,5 milhão em espécie em conta conjunta de Júlio e Mara Casares, ex-esposa do cartola. Ele ocupava cargo de diretora feminina, de cultura e de eventos do clube e se licenciou após acusações relacionadas a um esquema de venda ilegal de ingressos de camarotes. O Coaf também cita depósitos em dinheiro na conta de Deborah de Melo Casares, filha dos dois. Em um dos casos, em 22 de novembro de 2024, Mara depositou R$ 49,5 mil em espécie, valor abaixo do limite de notificação automática.

Os relatórios apontam ainda aportes em dinheiro vivo feitos por Mara em conta de uma empresa de que Deborah é sócia. O ponto central da apuração é verificar se existe ligação entre os saques nas contas do São Paulo e os depósitos nas contas dos dirigentes. Casares afirma que os valores têm lastro e que as acusações se baseiam em “versões frágeis”.

* Com Alexandre Giesbrecht, do ANOTAÇÕES TRICOLORES

(Anotações Tricolores)

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *