O São Paulo anunciou na tarde desta quarta-feira (28) a contratação da FTI Consulting, consultoria global especializada em gestão de crises, investigações corporativas e estruturação de práticas de governança e integridade, e do escritório de advocacia Machado Meyer Advogados, para condução e supervisão, respectivamente, de uma investigação independente relacionada às denúncias de quebra de integridade ligadas ao clube recentemente publicadas na mídia.
A atuação conjunta da FTI Consulting e do Machado Meyer terá caráter técnico e independente, com foco na apuração dos fatos e na recomendação de diretrizes para aprimoramento de controles internos e evolução das práticas de governança do Tricolor.
Com presença global, a FTI Consulting possui ampla experiência no apoio a organizações de grande porte em investigações corporativas, transformação de negócios e gestão de crises. A consultoria atua de forma integrada com assessores jurídicos e equipes internas, oferecendo análises independentes que subsidiam processos decisórios com maior fundamentação e clareza.
O Machado Meyer é um dos mais renomados escritórios de advocacia do Brasil, possuindo atuação reconhecida em diversas áreas do direito, incluindo a de compliance e investigações. O sócio especializado em investigações corporativas do Machado Meyer atuará no caso como membro do Comitê Independente de Investigação instituído para coordenar tecnicamente o trabalho investigativo da FTI.
Segundo o Diretor de ESG, Riscos e Compliance do São Paulo, Roberto Armelin, a escolha de FTI Consulting e Machado Meyer objetiva realizar as investigações necessárias para elucidar todos os fatos relacionados às denúncias de quebra de integridade com mais alto padrão de qualidade e independência não apenas nos procedimentos, como na apresentação do resultado final.
A iniciativa faz parte de um conjunto de medidas adotadas pelo próprio São Paulo após Harry Massis Júnior assumir a presidência para promover maior transparência, integridade e eficiência na administração.
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FUTURO SOMBRIO PARA O EX-PRESIDENTE
A renúncia de Júlio Casares à presidência do São Paulo ocorre no contexto de um conjunto de investigações conduzidas pela Polícia Civil desde o final do ano passado. O agora ex-presidente é alvo de apurações relacionadas a saques em dinheiro vivo realizados nas contas do clube e a movimentações financeiras consideradas atípicas pelos órgãos de controle. O inquérito está sob responsabilidade do delegado Tiago Fernando Correia, da 3.ª Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração e Combate à Lavagem de Dinheiro (Dicca).
O delegado afirma haver “consistentes indícios de que uma suposta associação criminosa estaria operacionalizando um sofisticado esquema de desvio de recursos e apropriação de valores”. A Polícia Civil conduz a investigação principal, enquanto o Ministério Público atua em duas frentes: uma voltada ao suposto esquema de desvio de verba e outra dedicada à apuração de gestão temerária, com foco na origem da dívida bilionária do São Paulo.
Os investigadores analisam 35 saques em dinheiro vivo realizados entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, que somam onze milhões de reais. Os bancos responsáveis pelas contas classificaram as operações como “atípicas e incompatíveis com a prática de mercado para uma entidade deste porte”, destacando a dificuldade de assegurar a destinação dos valores. Os 33 últimos saques ocorreram com apoio de empresa de carros-fortes, método que, segundo a polícia, dificulta o rastreamento do dinheiro.
Paralelamente, os investigadores identificaram depósitos em contas ligadas à família do dirigente. Entre janeiro de 2023 e maio de 2025, houve depósitos de R$ 1,5 milhão em espécie em conta conjunta de Júlio e Mara Casares, ex-esposa do cartola. Ele ocupava cargo de diretora feminina, de cultura e de eventos do clube e se licenciou após acusações relacionadas a um esquema de venda ilegal de ingressos de camarotes. O Coaf também cita depósitos em dinheiro na conta de Deborah de Melo Casares, filha dos dois. Em um dos casos, em 22 de novembro de 2024, Mara depositou R$ 49,5 mil em espécie, valor abaixo do limite de notificação automática.
Os relatórios apontam ainda aportes em dinheiro vivo feitos por Mara em conta de uma empresa de que Deborah é sócia. O ponto central da apuração é verificar se existe ligação entre os saques nas contas do São Paulo e os depósitos nas contas dos dirigentes. Casares afirma que os valores têm lastro e que as acusações se baseiam em “versões frágeis”.










