A Comissão de Ética do São Paulo recomendou por unanimidade a eliminação do ex-presidente Julio Casares do quadro associativo da instituição.
O parecer unânime de cinco votos a favor considerou procedente a representação contra o ex-dirigente, enquadrando suas atitudes administrativas como “gestão irregular ou temerária”, com potenciais prejuízos materiais e imateriais ao patrimônio do clube, em documento assinado nesta segunda-feira (24).
O relatório do processo disciplinar analisou possíveis inconsistências financeiras e institucionais cometidas durante a gestão do ex-mandatário.
Tentativa de renúncia e alegação de cerceamento de defesa
No documento, a comissão rejeitou a solicitação apresentada por Casares no dia 29 de julho — véspera de sua audiência de instrução —, na qual pedia o desligamento voluntário do quadro social. O órgão baseou-se no Estatuto Social do clube, que impede a homologação de pedidos de demissão durante o trâmite de procedimentos disciplinares.
O relator do processo, Luiz Braga, também indeferiu a tese de cerceamento de defesa apresentada pelos advogados de Casares. O parecer destacou que a defesa teve amplo acesso aos autos, formulou petições e recebeu farta documentação. Pedidos defensivos por registros contábeis que remontavam a até 20 anos atrás foram negados por extrapolarem o escopo da investigação.
Casares não compareceu à audiência agendada para 30 de julho, apresentando um novo pedido de encerramento do feito minutos antes da sessão. A comissão ressaltou que a ausência não implicou confissão automática, sendo o voto balizado exclusivamente nas provas colhidas.
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Saques milionários e uso de cartão do clube
As principais irregularidades apontadas referem-se à falta de comprovação em movimentações financeiras, contexto que já havia levado à reprovação das contas do exercício de 2025. O parecer destacou a identificação de cerca de R$ 7 milhões em saques sem justificativa, origem ou destinação documentalmente comprovadas.
Além dos saques, a comissão identificou despesas com o cartão corporativo da presidência realizadas em estabelecimentos e com finalidades alheias às atividades institucionais do São Paulo.
Ressarcimento e trâmite no Conselho
Além da expulsão, o órgão recomendou ainda que o ex-presidente seja obrigado a ressarcir integralmente o clube pelas despesas de caráter pessoal ou sem comprovação. O montante exato será apurado via liquidação administrativa pelo Departamento Financeiro e submetido à validação do Conselho Fiscal.
Para que a eliminação de Julio Casares seja efetivada, a recomendação da Comissão de Ética precisará ser votada pelo Conselho Deliberativo do São Paulo, sendo necessária a aprovação de dois terços dos conselheiros.










