Olten ‘truca’ Massis e oposição domina comissão do Conselho criada para analisar contrato com a Ticketmaster

Olten Ayres posa dentro do Morumbi (Reprodução)

O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres de Abreu Júnior, determinou nesta terça-feira (1) a criação de uma comissão especial dedicada a analisar os termos do contrato de parceria com a Ticketmaster. A informação não é nova. Alinhado à oposição, o dirigente já havia confidenciado internamente a setores do clube que criaria comissões para avaliar melhor o acordo (e dificultar a vida de Harry Massis).

A empresa estadunidense foi selecionada para assumir a gestão unificada da bilheteria do Morumbi e do programa Sócio-Torcedor. O grupo de trabalho é integrado pelos conselheiros Daurio Speranzini, Flavio Marques, Daniel Fonseca e Marcel Bonilha, que receberam a recomendação de emitir um parecer em caráter de urgência devido ao delicado momento financeiro da instituição. A maioria deles são nomes alinhados à oposição do clube.

A manifestação da comissão é a etapa final exigida para a concretização do negócio, que já conta com o aval do Conselho de Administração. A aprovação é tratada como prioridade absoluta pela diretoria liderada pelo presidente Massis.

Os recursos decorrentes da assinatura do contrato constituem o pilar financeiro previsto pela gestão para cumprir a promessa feita ao elenco de quitar dois meses de direitos de imagem em atraso até o encerramento de setembro.

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Bastidores e articulação política no Morumbi

O andamento da votação ocorre em um ambiente de forte pressão nos bastidores do clube. Nas últimas semanas, a gestão Massis articulou-se politicamente ameaçando retaliar e barrar a proposta de reforma estatutária caso os trâmites institucionais para a homologação do acordo com a Ticketmaster sofressem desaceleração no Conselho Deliberativo.

Contudo, na semana passada, a tentativa de mudança estatutária acabou reprovada pelos conselheiros em votação, isolando a pauta contratual como o foco central das atenções políticas no Tricolor.

Estrutura financeira e operacional do acordo

A concorrência pública, iniciada em abril de 2026 com seis participantes, teve a Ticketmaster e a NewC como finalistas. A proposta vencedora contempla um aporte global da ordem de R$ 140 milhões — somando empréstimos e direitos comerciais —, além de recursos adicionais para infraestrutura e reformulação operacional:

Empréstimo e Antecipação (R$ 110 milhões): A Ticketmaster disponibilizará o montante ao clube em até 45 dias após a formalização do contrato. O valor será amortizado pelo São Paulo em um prazo de cinco anos, com taxa de juros fixada em CDI + 1,99% ao ano. Para proteger o fluxo de caixa, o modelo estabelece uma trava máxima de pagamento mensal limitada a R$ 1,8 milhão, atrelada à arrecadação das bilheterias.

Exploração do Camarote 29A (R$ 30 milhões): A parceira pagará R$ 30 milhões à vista pelo direito de gestão comercial do espaço VIP por cinco anos. Em dias de shows e eventos musicais (cuja bilheteria já é operada pela empresa no estádio por intermédio da Live Nation), a gestora precisará adquirir os bilhetes de acesso correspondentes ao setor.

Reforma do Museu (R$ 6 milhões): Investimento em verba direta (fora do escopo do montante de antecipação) voltado ao retrofit e modernização do Museu do São Paulo.

Unificação de Bilheteria e Sócio-Torcedor: O serviço do programa de sócio-torcedor, atualmente sob responsabilidade da empresa Feng, passará a ser gerido centralizadamente pela Ticketmaster junto ao sistema de vendas para os jogos, visando otimizar a operação e enxugar custos.

Estrutura de Taxas de Administração: Estabeleceu-se a cobrança de taxa de conveniência de até 10% sobre ingressos vendidos digitalmente (com redução para 8% na venda em bilheterias físicas) e taxa fixa de 8% sobre os pagamentos das mensalidades do plano de Sócio-Torcedor.

Investida da NewC e Reestruturação de Passivo

Para assumir o programa de sócios-torcedores, o São Paulo terá de arcar com a multa rescisória do contrato da Feng, que havia sido renovado no início de 2025 pelo ex-diretor de marketing Eduardo Toni (com cláusula de 11% sobre a primeira mensalidade de novos adeptos).

A diretoria são-paulina também avaliou uma proposta concorrente da NewC no valor de R$ 500 milhões — empresa responsável pelo reconhecimento facial do estádio do Palmeiras.

A oferta previa assumir as bilheterias, o sócio-torcedor e o direito de superfície do Morumbi.

Contudo, o Estatuto Social do clube veda a cessão do direito de superfície pelo presidente, inviabilizando a negociação com a NewC e selando a parceria com a Ticketmaster, com quem o São Paulo já possuía proximidade, visto que a empresa faz parte da mesma holding da Live Nation, também parceira do Tricolor para a realização de shows no Morumbi.

A proposta de caráter patrimonial prevê a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) vinculado ao direito de superfície do Morumbi, podendo alcançar aporte próximo a R$ 500 milhões a longo prazo (8 a 10 anos) para a quitação de dívidas bancárias onerosas.

Paralelamente à concorrência da bilheteria, a empresa dinamarquesa NewC — que integrou o processo licitatório original —, acompanhada de um parceiro financeiro, apresentou aos grupos políticos do clube uma oferta alternativa focada em reestruturação de dívidas.

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