Diretoria implanta ‘escala’ e paga atrasados dos salários mais baixos do elenco

Harry Massis durante a sua posse como presidente, em janeiro (Reprodução)

O São Paulo quitou, nas últimas horas, parte dos salários que estavam em atraso com o seu elenco.

O repasse financeiro contemplou o elenco das categorias de base, em Cotia, e uma parcela reduzida de atletas do grupo profissional, no CT da Barra Funda.

Ao todo, 71 jogadores receberam os salários pendentes. O montante total utilizado pela diretoria para realizar as quitações foi inferior a R$ 1 milhão, direcionado prioritariamente a atletas que possuem as menores faixas salariais do clube.

Conforme apurado pelo AVANTE MEU TRICOLOR, os pagamentos de atrasados a partir de agora seguirão esse escalonamento: quem ganha menos, vai receber primeiro.

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Uma nova reunião da diretoria, desta vez com a presença do presidente Harry Massis Júnior, será realizada nesta sexta-feira (11). A presença do mandatário se fez necessária após os boatos de que o elenco planejava fazer greve. A informação, contudo, não procede e não passa de uma história inventada nas redes sociais, conforme jogadores relataram à reportagem.

Vestiário principal segue com pendências

Apesar da quitação parcial abrandar a situação nas categorias de base e entre os atletas de menor rendimento no elenco principal, o núcleo do time profissional na Barra Funda segue com pendências financeiras.

A diretoria são-paulina continua trabalhando nos bastidores para captar recursos e regularizar o restante dos salários em carteira (CLT) e os direitos de imagem em aberto com as lideranças do grupo antes da sequência decisiva no Campeonato Brasileiro e da decisão contra o Boca Juniors nas quartas de final da Copa Sul-Americana, na terça-feira (15).

Treta interna

O AVANTE MEU TRICOLOR apurou com pelo menos quatro jogadores do São Paulo que o elenco soube antes mesmo da viagem à Argentina para o jogo de ida das quartas de final da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors que o clube ia atrasar o pagamento dos salários em carteira (CLT).

Conforme relatado à reportagem, ainda na segunda-feira (7), um dia antes da viagem a Buenos Aires, o gerente de futebol Rafinha se reuniu com os líderes do plantel e comunicou sobre os problemas financeiros. Receberam também a promessa de tudo deverá ser quitado até segunda-feira (14). E é aí que os problemas se aprofundam.

Nenhum dos quatro jogadores ouvidos pelo AMT diz acreditar na promessa da diretoria encabeçada pelo ex-capitão Rafinha. Contratado em janeiro para ser uma espécie de fiador do mandatário Harry Massis Júnior, o ex-lateral perdeu credibilidade interna por outras promessas não cumpridas de pagamento dos direitos de imagem.

Outro atleta confirmou informação divulgada pelo ‘Globo Esporte‘, de que o elenco se reuniu na quinta-feira (10) e decidiu se criar uma espécie de vaquinha solidária de ajuda a jogadores que estejam passando por dificuldades financeiras. Até mesmo o técnico Dorival Júnior está colaborando.

Atualmente, o São Paulo deve três meses de direitos de imagem – referente a junho, julho e agosto – e, agora, um mês de salários em carteira, que deveria ter sido pago no último dia 8 de setembro.

O São Paulo também não vem honrando o acordo feito em fevereiro deste ano, já pela gestão de Harry Massis, de parcelamento dos direitos de imagem em atraso referentes a 2025. O clube dividiu o montante em dez parcelas, mas pagou somente cinco.

A acusação da gestão Massis é que a oposição, mais precisamente o presidente do Conselho, Olten Ayres de Abreu, trava a votação do contrato com a Ticketmaster, que assumiria a gestão da venda de ingressos e do Sócio-Torcedor, em acordo aprovado pelo Conselho de Administração desde 19 de agosto. A afirmação gerou ruídos internos entre os conselheiros contrários à gestão.

A proposta em disputa não é pequena: prevê a antecipação de R$ 110 milhões ao São Paulo em até 45 dias após a assinatura, na forma de um empréstimo a ser quitado em cinco anos, com juros de CDI mais 1,99%. É esse dinheiro — represado por uma queda de braço institucional que já dura semanas — que a diretoria aponta como a peça que falta para destravar o pagamento das dívidas com o elenco.

Detalhamento das pendências financeiras

A crise de fluxo de caixa atinge o elenco em diferentes frentes financeiras:

  • Salários em Carteira (CLT): O descumprimento do prazo de pagamento dos vencimentos de agosto afetou diretamente os atletas, marcando um precedente atípico no cotidiano do departamento de futebol.

  • Direitos de Imagem em Aberto: Parte expressiva do grupo acumula atrasos no recebimento de direitos de imagem ao longo da temporada de 2026.

  • Passivos de Gestões Anteriores: Há jogadores que ainda cobram o cumprimento de parcelas de acordos firmados para renegociar débitos herdados da administração do ex-presidente Julio Casares.

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