Situação do São Paulo rejeita reeleição para Massis e define o seu nome para concorrer às eleições

Adílson Alves Martins será o candidato da situação nas eleições de dezembro (Rubens Chiri/SPFC)

Os grupos situacionistas do São Paulo chegaram a um consenso para a próxima eleição presidencial, que acontecerá no final do ano. Batizada de ‘Nova Aliança’, a chapa optou por não lançar o nome de Harry Massis Júnior para concorrer à reeleição e terá como candidato o empresário Adílson Alves Martins no pleito.

A informação foi divulgada inicialmente pelo jornalista Ramoni Artico, da ‘São Paulo Digital‘, e confirmada ao AVANTE MEU TRICOLOR por fontes da ata cúpula são-paulina.

Ex-apoiador de Julio Casares, Adílson tem o nome cogitado para ser candidato desde os tempos que o ex-presidente ainda era mandatário. Atualmente, além de conselheiro vitalício, ele atua como assessor financeiro da presidência e é visto nos bastidores como um dos principais líderes políticos do Tricolor.

O ‘Nova Aliança’ é composto por uma coligação formada por cinco blocos políticos: Vanguarda, Somos São Paulo (SSP), Legião, Participação e Sempre Tricolor. Conforme a reportagem apurou, Massis, que tinha sim o desejo de ser concorrente à reeleição, acabou preterido pelo forte desgaste que sua administração vem tendo com a torcida, principalmente pelo pífio desempenho esportivo e o aumento das dívidas (que culminaram em atrasos salariais do elenco).

A vaga de vice-presidente na chapa deve ser ocupada por Vinicius Medeiros, coordenador do grupo Legião — a segunda maior força política do clube. Por sua vez, o nome para disputar a presidência do Conselho Deliberativo permanece em aberto e é objeto de negociações internas.

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Estratégia Eleitoral e Calendário

O planejamento da coligação prioriza a disputa pelas 100 cadeiras do Conselho Deliberativo no pleito de novembro antes de oficializar a chapa Executiva completa:

Lançamento das Chapas do CD: A lista dos candidatos ao Conselho Deliberativo será oficializada no início de outubro, respeitando o limite do regimento até o dia 15 do mesmo mês.

Plano de Governo: Elaborado pelo candidato Adilson Alves Martins — empresário do setor de sustentabilidade ambiental —, o plano de metas está em fase final de ajustes e será apresentado publicamente em outubro.

Lançamento da Executiva: A chapa da Diretoria Executiva será apresentada posteriormente, após a definição do candidato de consenso para a presidência do CD.

Riscos e Mapeamento do Conselho

Internamente, a liderança da “Nova Aliança” reconhece o risco de crescimento da oposição no Conselho Deliberativo, o que pode acirrar a disputa pela presidência do clube:

Alerta no Conselho: A atenção da situação está voltada para os grupos Somos São Paulo (SSP) e Participação, que juntos somam 35 conselheiros atualmente.

Projeções de Perda: Fontes internas estimam que ambos os grupos podem perder até 20 cadeiras na votação do social.

Cenário Crítico: Caso essas vagas migrem diretamente para a oposição sem uma compensação de votos nos outros três grupos da coligação (Vanguarda, Legião e Sempre Tricolor), a projeção interna indica vitória do grupo opositor (MPG) na eleição presidencial.

O Conselho Deliberativo tem atualmente 252 integrantes, sendo 152 vitalícios e 100 eleitos. Desse total, 133 fazem parte dos grupos da situação, 101 integram a oposição e 14 são independentes. Outros quatro conselheiros, três vitalícios e um eleito, não votam.

Entre os grupos da situação, o Legião tem 38 conselheiros (16 vitalícios e 22 eleitos); o Somos SPFC, 30 (10 e 20); o Participação, 29 (12 e 17); o Sempre Tricolor, 20 (sete e 13); e o Vanguarda, 16 (15 e um).

Na oposição, o Salve o Tricolor Paulista é o maior grupo, com 47 conselheiros (37 vitalícios e dez eleitos). O Novo São Paulo tem 28 (17 e 11); o Força SP, 23 (18 e cinco); e o Força-Super, três, todos vitalícios.

A Oposição

Depois da queda de Carlos Sadi por conta de declarações preconceituosas em uma entrevista, a oposição do São Paulo está próxima de fechar o nome de Eduardo Alfano para ser o vice na chapa que levará o nome de Marcelinho Portugal Gouvêa para as próximas eleições a presidente do clube, previstas para dezembro.

Conforme o AVANTE MEU TRICOLOR apurou, o nome de Alfano foi sugerido em consenso com os grupos políticos da chamada ‘oposição raiz’ (que são contrárias à gestão desde os tempos de Julio Casares) e conta com os bons olhos de Olten Ayres de Abreu, presidente do Conselho Deliberativo e um dos principais fiadores da campanha de Marcelinho (Sadi era do seu grupo político).

Alfano recentemente teve o nome conhecido pela torcida por ter sido o presidente da comissão que formulou a reforma estatutária, mas é um velho conhecido dos corredores do Morumbi. No quarto e último mandato de Juvenal Juvêncio foi diretor de relações internacionais e vice-presidente de comunicações e marketing, quando trabalhou ao lado de… Julio Casares.

Apesar do currículo, contudo, Alfano sempre esteve mais alinhado com a oposição que com a situação. Em 2014, por exemplo, próximo de Marco Aurélio Cunha, mesmo sendo diretor de Juvenal, apoiou Kalil Rocha Abdalla nas eleições que terminaram com Carlos Miguel Aidar vitorioso. No ano seguinte, foi sondado pelo então presidente para assumir o futebol profissional substituindo Ataíde Gil Guerreiro, mas declinou da oferta por discordâncias com a gestão.

De perfil ponderado e respeitado internamente no Conselho, Alfano constantemente foi convidado para ocupar cargos nas gestões seguintes, de Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, e Casares. Em maio, ao portal ‘Globo Esporte‘, manifestou ser favorável a uma SAF no Tricolor. Não à toa são suas as propostas de flexibilização no Estatuto na reforma derrotada que permitiram maior facilitação de estudos para se implantar o modelo no clube.

A ficialização do nome de Alfano deve ser feita nos próximos dias, a reportagem apurou.

Estrutura da Chapa e Divisão dos Cargos

Com a entrada de Alfano na chapa, a distribuição das candidaturas aos órgãos colegiados do clube pela posição ficaria desenhada da seguinte forma:

Presidência da Diretoria Executiva: Marcelinho Portugal Gouvêa

Vice-Presidência Executiva: Eduardo Alfano

Presidência do Conselho Deliberativo: Fábio Mariz

Vice-Presidência do Conselho Deliberativo: Caio Forjaz

Indicações ao Conselho de Administração: Flávio Marques e Daurio Speranzini

A unificação dos grupos de oposição põe fim às indefinições provocadas pela pré-candidatura lançada e fracassada de Rogério Caboclo e cria um bloco coeso de oposição. A presença de nomes como Fábio Mariz e Caio Forjaz na chapa do Conselho Deliberativo, somada às indicações de Flávio Marques e Daurio Speranzini para o Conselho de Administração, sinaliza um movimento estratégico para garantir governança e representatividade nos principais centros de decisão do Morumbi.

Com a chapa formalizada, a oposição passa a focar na captação de votos entre os 260 membros do Conselho Deliberativo (160 vitalícios e 100 eleitos), enquanto aguarda o desfecho das votações da Reforma Estatutária para definir as diretrizes finais da campanha.

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