A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) — órgão responsável pelo controle e aplicação do Fair Play Financeiro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) — confirmou que 12 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro apresentaram inconsistências ou atrasos comprovados em suas obrigações financeiras na data de corte de 30 de junho de 2026.
Dentre as agremiações notificadas, quatro receberam sanções mais severas: São Paulo, Grêmio, Atlético-MG e Internacional foram enquadrados no regime de ultimato e sofrerão a pena de transfer ban (impossibilidade de registrar novos atletas) caso não comprovem a quitação de débitos contraídos em 2026 no prazo improrrogável de 45 dias.
Outras seis equipes — Corinthians, Botafogo, Vitória, Santos, Remo e Vasco — foram punidas com advertências formais. Athletico-PR e Coritiba passaram por julgamento sem novas sanções aplicadas, embora mantivessem pendências abertas no período analisado.
O processo fiscalizatório da Anresf é contínuo e exige a prestação periódica de contas dos clubes quanto ao adimplemento de obrigações assumidas com outras instituições esportivas, atletas, comissões técnicas e órgãos públicos. O órgão realiza o cruzamento sistemático de declarações bancárias, comprovantes de depósitos e termos de repactuação.
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Situação do São Paulo
Na análise das contas são-paulinas, o Tricolor comprovou que as pendências financeiras mantidas com Ceará e Bragantino pertenciam a contratos firmados em 2025, sendo reclassificadas no passivo prévio.
O clube também atestou a liquidação de um débito com a Lazio, da Itália, efetuada, contudo, após a data limite de 30 de junho. Em contrapartida, permaneceu em aberto um débito contraído em 2026 junto ao Esporte Clube São José (RS).
Em razão dessas constatações, a Anresf aplicou uma advertência pública ao São Paulo — que abrange o atraso extemporâneo com a equipe italiana — e fixou o prazo de 45 dias para que a diretoria liquide a dívida com o São José, sob pena de imediata proibição de registro de novos jogadores.
O Tricolor recebeu ainda uma advertência adicional por ter omitido a declaração de um débito com o Novorizontino, controvérsia que já se tornou objeto de procedimento próprio perante a agência.
É bom lembrar que o clube já está sob uma punição de transfer ban aplicada pela Fifa no início de outubro devido ao não pagamento de comissão/intermediação de US$ 350 mil (R$ 1,8 milhão) a um empresário do meia argentino Giuliano Galoppo, ainda não quitada pelo São Paulo.
Critérios de punição da Anresf
A agência reguladora explicou os critérios jurídicos adotados para a gradação das penalidades:
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Obrigações assumidas até 31 de dezembro de 2025: Estão amparadas por um período de transição que se estende até 30 de novembro de 2026. Nesses casos, o descumprimento do requisito de solvência é punido com advertência pública e recomendação de regularização até a janela de verificação de novembro, sem isentar o pagamento.
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Obrigações assumidas a partir de 1º de janeiro de 2026: Não contam com prazo de carência. Para débitos entre clubes nacionais, foi estabelecido o prazo fixo de 45 dias para quitação ou formalização de acordo escrito, sob pena de transfer ban. Atrasos com atletas e comissões técnicas geraram prazos exíguos sob pena de multa pecuniária, enquanto débitos tributários de 2026 foram advertidos com recomendação de regularização até 31 de outubro.










