Fora do São Paulo, Luan revela sacanagem interna e drama: “Tive depressão, crise de pânico e problema com bebida”

Luan abriu o coração sobre os tempos difíceis no Tricolor (Foto: Reprodução/Instagram)

O volante Luan se despediu oficialmente do São Paulo na última semana, encerrando uma trajetória de mais de uma década e meia com a camisa tricolor.

Agora sem vínculo nenhum com seu clube do coração, o jogador começa a expor algumas verdades sobre sua conturbada fase final pelo Tricolor, onde ele passou por problemas de depressão, crise de choro e pânico e com excesso de bebidas.

Sacanearam Luan

“Nunca tive o poder do microfone. Algumas coisas me deixaram muito chateado. Eu fui afastado porque não tinha renovado o contrato. Tive uma conversa franca com a diretoria, Rui Costa sabe disso. Tive propostas de outros clubes, até rivais, pagando mais, mas eu não queria sair, só queria ter mais oportunidades. Começaram a sair notícias de que eu queria a titularidade e mais dinheiro. Eu me calei”, disse Luan em entrevista publicada nesta segunda-feira (19) pelo portal GE.com.

“Tem algo que nunca falei: no mês seguinte da minha renovação, me chamaram para falar que eu não iria jogar, que iriam me emprestar. Eu tinha rejeitado propostas melhores para ficar e reforcei que não queria sair. Então, começaram a me deixar de fora, separado, no terceiro time”.

“De 2023 para frente, não teve “o Luan não conseguiu voltar a ser o que ele era em 2021”. Teve mais de não darem oportunidades para que eu pudesse jogar”.

“Nunca falei sobre isso, mas foi difícil de entender. Eu não tinha renovado e eles me afastaram. Eu renovo e eles me reintegram. Um mês depois, avisam que vou ser emprestado. A partir dali, entendi que ia ser uma guerra. Não do Luan para estar bem física e mentalmente. Eu sabia que ia ser uma guerra fora de campo”.

“Fiz de tudo para ficar no São Paulo. Fui chamado de mercenário e não era. Renovei por três anos e nos três quiseram me emprestar. Nos três me colocaram para treinar separado. Não o São Paulo, mas pessoas que trabalharam lá, que inclusive não estão lá mais. Não tenho mágoas, não. Fiz de coração, não me arrependo. Eu falei na minha despedida: teve vezes que preferi treinar separado do que ser emprestado para outro clube. Isso diz muito do amor que tenho pela camisa”.

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Crises, depressão e bebida

“Treinar separado foi o que despertou a depressão. Eu entrei com 11 anos, fui campeão, fiz gol em final, ajudei. Não era nenhum Rogério Ceni, Kaká, Luís Fabiano, Lugano, esses caras que são ídolos, mas de alguma forma ajudei a quebrar um tabu de anos. E o mínimo que eu pedia era continuar treinando com o grupo. Eu não ia atrapalhar em nada, todo mundo sabia do meu comprometimento. Só precisava estar no grupo”.

“Os trabalhos em horários alternativos eram, muitas vezes, feitos sozinho em campo, apenas supervisionados por algum membro da comissão técnica. Diversas vezes, era apenas Luan correndo ao redor do gramado e fazendo trabalhos com bola batendo no “paredão””.

“Treinar em horário alternativo dos meus companheiros era a pior coisa do mundo para mim. Era o que mais me machucava ter que passar por aquilo. A torcida ficou com a imagem de que fiquei três anos lá comendo, bebendo e roubando o clube. Sei que depois da renovação, minha relação com a torcida mudou muito, acharam que fiz corpo mole, queria dinheiro e pegaram birra, mas não foi isso”.

A depressão preocupou os companheiros de São Paulo a ponto de Luciano, Alan Franco, Jandrei e Alisson fazerem uma visita na casa de Luan. Só que o volante não conseguiu recebê-los, informou a reportagem.

“Eu me tranquei no quartinho e fiquei chorando. Eu não recebi eles. Muitas vezes eu não queria sair de casa. Quando tinha jogo do São Paulo eu ficava mal. Eu assistia, mas tinha crise de pânico, de choro”.

“Todo mundo passa por um momento de amadurecimento. O momento que convivi com problemas de peso foi no momento da minha lesão. Hoje entendo que ali já desenvolvi um pouco de depressão porque eu não conseguia voltar, não recuperava. Quando faz a cirurgia é que descobrem que eu tinha uma situação mais delicada no adutor, um edema ósseo que tinha calcificado. E ali me perguntam: como você estava aguentando jogar e treinar?”

“Já tive alguns problemas extracampo, sim, não escondo. Em determinado momento da minha depressão. Eu preferi me calar e fazer o trabalho no dia a dia. Problema de peso na época da lesão, problema de bebida na época da depressão”.

Saiu sem entender

“Sempre era um jogando para o outro. A diretoria falava que era a comissão, a comissão falava que era a diretoria. Ninguém olhava na minha cara e falava: quem não quer é esse. Meu amor pelo clube não mudou perante essas atitudes dessas pessoas”.

“O que não consigo entender é que no ano passado recebi uma proposta do Botafogo, mas o Rui Costa não me liberou falando que eu tinha me recuperado. E no outro ano me afastou. Eu não entendo. Se eu não posso ser negociado com o Botafogo, como que vou ser afastado dentro do São Paulo?”.

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