Henry processa o São Paulo: ex-atacante da base com nome de astro cobra R$ 5 milhões do clube por descaso e negligência

Thierry Henry estava desde os 11 anos no Tricolor até deixar o clube em mar~ço de 2026 (Foto: Rafael Assunção)

Uma antiga promessa das categorias de base do São Paulo ingressou com uma ação trabalhista contra o clube na Justiça do Trabalho pedindo uma indenização total que pode alcançar R$ 4,9 milhões.

O atacante Thierry Henry, de 19 anos, acusa o departamento médico do Tricolor de sucessivas falhas no diagnóstico e no tratamento de lesões, alegando que condutas inadequadas e a negligência de profissionais do clube o fizeram “perder a chance” de se consolidar como atleta profissional no elenco principal.

A ação judicial foi veiculada inicialmente pela ESPN nesta quinta-feira (29). De acordo com os autos do processo, as divergências médicas começaram em outubro de 2025, após uma partida contra o Vitória pela Copa Atlântico. Na ocasião, o atacante assinalou um gol e relatou dores agudas na região pélvica. Segundo o relato do atleta à Justiça, ao reportar o quadro a um fisioterapeuta do clube, ouviu como orientação que “deveria fazer esteira, pois as dores seriam algo da sua cabeça”.

Diante da ausência de exames de imagem solicitados pelo departamento médico são-paulino ao longo de três meses, a família do atleta custeou de forma independente uma radiografia, na qual foi constatada osteíte púpica — caracterizada por “irregularidade dos contornos e esclerose das superfícies da sínfise púbica”.

Mesmo após a apresentação do laudo, a defesa do jogador afirma que o São Paulo manteve o atleta liberado para treinar, limitando-se a aplicar medicações injetáveis para mascarar as dores e registrando a patologia no prontuário interno apenas como “queixas álgicas”. O pai do jogador anexou ao processo a gravação de uma ligação telefônica com um dirigente são-paulino, na qual relata a insatisfação com a condução médica e a falta de exames de ressonância magnética.

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Provas contra o clube

O processo judicial também aponta episódios ocorridos no início de 2025, quando o jovem atacante participava de atividades com a equipe profissional na Barra Funda. Relatórios isocinéticos datados de abril de 2025 registraram um déficit de força de 34% no quadríceps direito. O atleta alega que, mesmo sem o devido trabalho de correção muscular, foi liberado para treinos de alta intensidade no time principal, o que resultou em uma lesão subsequente no tornozelo esquerdo.

Para fundamentar a tese jurídica de “perda de uma chance”, a defesa anexou a cópia do contrato profissional de Thierry Henry, ressaltando que a cláusula rescisória internacional de 60 milhões de euros (cerca de R$ 360 milhões) comprova a grande expectativa do clube sobre seu potencial esportivo e financeiro.

A petição inicial contabiliza R$ 4.247.291,80 em pedidos — sendo R$ 2.290.555,56 exclusivos pelo conceito de perda de uma chance —, além de indenizações por danos morais, ressarcimento de tratamento médico, verbas rescisórias, férias e 15% de honorários advocatícios sucumbenciais, o que eleva a causa para próximo de R$ 5 milhões.

O São Paulo informou que ainda não foi notificado formalmente da ação e que se pronunciará nos autos assim que tomar conhecimento do teor do processo.

Nos bastidores de Cotia, contudo, a avaliação sobre a passagem de Thierry Henry contrapõe as alegações do atleta. Fontes internas do departamento de futebol de base relataram à ESPN que o atacante era visto como um jogador acomodado e que, após a assinatura da renovação contratual, passou a apresentar baixa dedicação nos treinamentos. As apurações indicam ainda que a rescisão do vínculo em março deste ano ocorreu a pedido do próprio atleta.

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