Uma declaração pública foi registrada em cartório na região central da capital paulista por Mara Casares, poucos dias após a divulgação do áudio em que ela admite participação num esquema clandestino de revenda de camarotes no Morumbi.
No documento, lavrado em 23 de dezembro, ela afirma ter sido vítima de abuso de confiança ao ceder gratuitamente um camarote, no âmbito da diretoria feminina, a uma colaboradora e amiga de longa data, perdendo o controle sobre seu uso.
O nome da colaboradora não é citado, mas trata-se de Rita de Cássia Adriana Prado, que foi quem gravou o polêmico áudio que foi vazado e fez explodir o escândalo.
Mara também garante não ter recebido “um centavo sequer” e sustenta ser “absolutamente inocente” quanto à destinação comercial do espaço.
A declaração também busca isentar o presidente Júlio Casares, seu ex-marido, de qualquer envolvimento ou conhecimento do caso — até agora, o cartola não se pronunciou publicamente sobre o escândalo, mas contratou um advogado para acompanhar, em seu nome, o inquérito policial.
Mara se afastou tanto de seu cargo como diretora feminina, cultural e de eventos do clube como de sua cadeira no Conselho Deliberativo.
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O CASO
Mara foi flagrada junto de Douglas Schwartzmann, então responsável pelas categorias de base do clube, também afastado, em uma polêmica de repasse de um espaço no estádio tricolor para um show da cantora colombiana Shakira, em março. Ambos foram flagrados em gravações telefônicas feitas pela denunciante, que se sentiu lesada após alegar “ter sido roubada” por uma quarta envolvida.
A licença de Mara, contudo, foi em um momento oportuno à gestão Casares. Aconteceu um dia depois da aprovação do orçamento são-paulino para 2026, na qual ela votou aprovando as contas previstas pelo ex-marido.
Apesar de licenciada agora, Mara continuará sendo investigada pelo caso em duas frentes.
Na primeira, ela será alvo de inquérito policial instaurado a mando do Ministério Público Estadual de São Paulo.
O promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, da Comissão de Turismo e Desporto do MP-SP, viu indícios claros de crimes que envolvem, sim, o São Paulo e não apenas na relação de consumo entre as outras partes envolvidas.
“O primeiro crime é corrupção privada do esporte, que é um crime previsto na nova Lei Geral do Esporte, em vigor desde 2023. Esse crime, na verdade, pressupõe a manipulação de interesses privados em detrimento do patrimônio do clube, das agremiações”, disse Carneiro.
“E um segundo crime, que também é muito grave, é o de coação no curso do processo. Porque você ligar para uma pessoa e intimidar para que ela retire um processo sob pena de que as coisas ganhem repercussões, como sugerem as gravações, é um indicativo de crime”, completou o promotor.
A sugestão do Ministério Público é que sejam ouvidos os três envolvidos no áudio (Douglas Schwartzmann, Mara Casares e a denunciante) e todos os citados, inclusive Marcio Carlomagno, superintendente geral do São Paulo.
“Todo o dinheiro de uma agremiação arrecadado, seja em praça esportiva em razão do futebol ou de outra atividade esportiva tem que reverter para o clube. E não para favorecimento de interesse privado de quem deveria gerir o clube. A polícia vai tomar os próximos passos”, disse.
O caso também tem caminhado internamente no São Paulo. Depois da revelação dos áudios, o Tricolor abriu duas sindicâncias, uma interna e outra externa, para apurar o que aconteceu.
O Conselho Deliberativo encaminhou uma outra investigação à Comissão de Ética do clube, enquanto recebe pedidos de punições para Schwartzmann e Mara. No mesmo dia da divulgação do caso, os dois diretores pediram licença de seus cargos.










