Polícia investiga ex-diretor de futebol do São Paulo por abertura de 15 empresas enquanto esteve na função

Nelsinho (ao centro) durante evento no Conselho Deliberativo, em 2023 (Rubens Chiri/SPFC)

A reportagem exibida pelo ‘Fantástico’na noite deste domingo (11) colocou o São Paulo no centro do principal programa jornalístico da TV aberta em um momento particularmente sensível do clube.

O material foi ao ar quando o jogo contra o Mirassol ainda estava no primeiro tempo e reuniu, em pouco mais de sete minutos, os principais pontos das investigações policiais em curso, as suspeitas levantadas pelas autoridades e as versões apresentadas pelas defesas dos envolvidos.

Para quem acompanha de perto o noticiário recente do clube, porém, houve pouco acréscimo factual. Segundo a matéria, as investigações tiveram início a partir de uma denúncia anônima, que apontava a existência de desvios financeiros estruturados e sistemáticos dentro do Tricolor.

A partir desse relato, a Polícia Civil passou a apurar indícios relacionados a dirigentes do clube, além de movimentações financeiras consideradas atípicas.

Um dos nomes citados é o do ex-diretor-adjunto de futebol Nélson Marques Ferreira, o Nelsinho, que já havia aparecido brevemente em denúncia publicada pelo ‘O Estado de S. Paulo‘ na semana passada, sobre a suspeita era de desvio de valores por meio de acordos entre o São Paulo e uma empresa de logística prestadora de serviços a diversos clubes, mas sem detalhamento.

AS ÚLTIMAS DO TRICOLOR:
>> Melhores momentos de São Paulo x Mirassol: show de erros defensivos em 1ª vergonha da temporada no Paulistão
>> Luciano lamenta ‘erros do passado’, alerta que ano será ainda mais difícil e não se diz novo líder do São Paulo
>> ATUAÇÕES: Começou 2026? Ferraresi entrega, Alan Franco faz contra e Maik é expulso em primeiro vexame do ano
>> FELIZ ANO VELHO: Abalado São Paulo repete os erros de 2025 e acaba atropelado pelo Mirassol em estreia no Paulistão
>> ASSISTA COMO FOI A COLETIVA DE CRESPO APÓS A SAPATADA LEVADA PELO SÃO PAULO PARA O MIRASSOL

O ‘Fantástico’ trouxe um novo elemento: Nelsinho é investigado pela abertura de 15 empresas no período em que ocupou cargo no clube, entre o início de 2021 e novembro do ano passado.

De acordo com o delegado Tiago Correia, responsável pelas apurações, “esses dirigentes, citados pelo denunciante, teriam criado ou constituído franquias em shopping centers de maneira oculta, então seriam sócios ocultos de algumas franquias”. Foi a partir dessa linha que a polícia iniciou uma investigação preliminar.

Ainda segundo Correia, nessa investigação preliminar a polícia obteve “elementos indiciários, evidências consistentes, dando conta de que essa denúncia, juntamente com as evidências que haviam sido coletadas no caso entre Corinthians e VaiDeBet, parecia ter credibilidade”.

Foi nesse contexto que surgiram os dados sobre 35 saques em dinheiro em espécie realizados diretamente no caixa das contas do São Paulo entre 2021 e 2025, que somam R$ 11 milhões de reais. A reportagem também relembrou outros episódios recentes, como o áudio em que dois diretores do clube admitem participação num esquema para uso irregular de um camarote no show da cantora Shakira, em fevereiro. Os advogados de defesa dos dois agora ex-diretores — Douglas Schwartzmann, que era adjunto do futebol de base, e Mara Casares, que era diretora feminina, cultural e eventos, além de ser ex-esposa do presidente do São Paulo, Júlio Casares — afirmaram que as declarações de ambos foram tiradas de contexto, mas não explicaram qual seria o contexto original ou como se pode tirar de contexto um áudio de 44 minutos, que engloba uma conversa entre três pessoas do início ao fim.

Outro ponto abordado foi a investigação que aponta movimentações consideradas do São Paulo, Júlio Casares, a partir de relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

O advogado de Casares, Bruno Borragini, garantiu que “não há uma relação de vinculação direta nem indireta” entre os saques do São Paulo e as entradas em espécie na conta pessoal do cartola: “Na iniciativa privada, ele ganhava em conta e, ao longo dessas funções que exerceu, recebeu boa parte em espécie. Ele guardou, e, quando assumiu a presidência do São Paulo, passou a suplementar sua renda, porque teve esse decréscimo (em relação ao salário que ganhava antes), fazendo esses depósitos em conta.”

Na semana passada, o sistema interno do Conselho Deliberativo publicou a defesa de Casares no processo de impeachment, que será votado pela casa na sexta-feira. O documento contém as versões do cartola sobre diversos dos episódios. O Anotações Tricolores solicitou ao presidente uma cópia do documento, a fim de publicá-lo na íntegra, mas o dirigente visualizou a mensagem e não a respondeu. Nele, Casares trata o escândalo do camarote como “uma acusação que se apoia em mera especulação e não em fatos jurídicos comprovados ou incontroversos”, ignora a irregularidade na compra de canetas emagrecedoras para tratamento de dois atletas do elenco profissional, minimizou os frequentes déficits nos cinco anos de sua gestão e classificou os saques em espécie da conta do clube como “uma realidade inarredável em certas dinâmicas do futebol profissional”.

Embora o São Paulo não seja alvo de investigação, o advogado que o representa, Pedro Iokoi, também deu entrevista ao programa e deu sua versão sobre os saques em dinheiro das contas do clube: “O clube tem despesas que são honradas em espécie. A arbitragem é paga em dinheiro no dia do jogo. O mais comum, o mais importante e o mais volumoso é o pagamento de bicho, que é feito em dinheiro, dependendo do jogo. Se o jogo tem uma importância grande, se a bilheteria vai ser alta, se é um clássico… 100% dos valores sacados são absolutamente contabilizados no clube e estão no balanço, inclusive dizendo qual foi a utilização e quando ela foi feita.”

* Com Alexandre Giesbrecht, do ANOTAÇÕES TRICOLORES

Marcado:

0 Comentários

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *