Casares tenta explicar saques nas contas do São Paulo em carta aos conselheiros

Julio Casares durante evento na Federação Paulista de Futebol em 2023 (Rodrigo Corsi/Agência Paulistão)

A semana decisiva do processo de impeachment de Júlio Casares começou com o clube em ebulição. Na manhã de sábado (10), torcedores do São Paulo promoveram um protesto pacífico contra o presidente, com faixas e gritos tanto em frente ao clube social quanto nas arquibancadas do Morumbi. As manifestações também miraram Olten Ayres de Abreu Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, que vem defendendo pontos de vista de Casares no processo, além de Mara Casares e Douglas Schwartzmann, ex-diretores afastados após a revelação de áudios em que ambos admitem um esquema ilegal de venda de camarotes para shows no estádio. Entre as faixas estendidas, pedidos diretos como “Aprovem o impeachment”, “Fora, Olten Ayres” e “Olten e Casares, juntos contra o São Paulo”.

O protesto ocorreu às vésperas da reunião do Conselho Deliberativo que decidirá o futuro do mandatário. A votação está marcada para a próxima sexta-feira (16), às 18h30 (de Brasília), no Morumbi, de forma presencial e com voto secreto. Casares responde a um processo de impeachment que ganhou novos contornos nos últimos dias, tanto no campo político — ele perdeu os apoios de quatro de seus principais grupos de sustentação, incluindo o seu próprio — quanto jurídico.

Em defesa apresentada ao Conselho, o presidente buscou esclarecer os saques realizados das contas do São Paulo entre 2021 e 2025, que somam R$ 11 milhões de reais.

No documento, Casares sustenta que R$ 8,23 milhões correspondem a despesas operacionais de jogos, como o pagamento de arbitragem, feito em dinheiro vivo. Os restantes R$ 4,78 milhões, teriam sido utilizados para premiações a jogadores, prática que a defesa define como comum “não só no São Paulo”, mas “em todos os demais clubes de futebol do país”.

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O texto afirma ainda que todas as movimentações ocorreram “em restrita observância aos procedimentos internos aplicáveis”, com registros completos, detalhados e acessíveis para auditoria, e ressalta que os valores sacados não têm relação com movimentações financeiras do cartola como pessoa física.

Paralelamente à defesa de mérito, Casares investiu na frente jurídica. Além de contratar um escritório para sua defesa pessoal, solicitou ao advogado Luiz Flávio D’Urso um parecer específico sobre o quórum necessário para a destituição do presidente, motivo de polêmica na última semana.

No documento de 22 páginas, disponível apenas para conselheiros, D’Urso responde a seis questionamentos feitos por Casares, incluindo a natureza da perda de mandato e qual quórum deveria prevalecer.

Embora o Conselho já tenha se posicionado pela exigência de 75% dos votos, o parecer reforça essa interpretação. “A perda de mandato de presidente tem natureza sancionatória e excepcional, razão por que exige interpretação garantista, sistemática e estabilizadora”, escreveu o advogado, que também alertou para o “elevado risco de nulidade, de posterior judicialização e questionamento de legitimidade” caso um quórum menor, de dois terços, seja aplicado.

Enquanto isso, o caso segue ganhando repercussão fora dos muros do Morumbi. O ‘Fantástico’, programa dominical da ‘TV Globo’, anunciou para hoje uma reportagem sobre as investigações em andamento envolvendo escândalos no São Paulo. Na chamada, o programa destaca a existência de 35 saques em dinheiro vivo ao longo dos últimos anos, que totalizam os mesmos R$ 11 milhões citados no inquérito policial.

As apurações conduzidas pela Justiça e a divulgação dos detalhes pela imprensa vêm alimentando o debate interno e ampliando a pressão de conselheiros e da torcida às vésperas de uma das votações mais sensíveis da história recente do clube.

* Com Alexandre Girsbrecht, do ANOTAÇÕES TRICOLORES

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