Olten Ayres de Abreu, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, concedeu entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (9) no CT da Barra Funda, para dar explicações sobre o processo de votação de impeachment de Julio Casares, que teve data alterada, e falar sobre os milhões de outros assuntos polêmicos que assolam o clube nas últimas semanas.
O negócio já começou errado quando o clube não divulgou o link da entrevista coletiva ao vivo em seu canal do YouTube, como costumeiramente faz com todas as outras. O São Paulo irá divulgar posteriormente a entrevista gravada. O Tricolor justificou que Olten pediu para falar pela manhã, e por questões técnicas não foi possível transmitir ao vivo.
No entanto, alguns veículos de comunicação presentes no local conseguiram fazer às pressas e no improviso a transmissão ao vivo das falas de Olten, e conseguimos acompanhar os principais pontos abordados na conversa, que teve o conselheiro um tanto quanto nervoso ao responder algumas questões. Em muitas delas, foi breve e não sanou a dúvida perguntada.
Olten Ayres falou sobre como acha que o torcedor são-paulino deve estar se sentindo, e acabou revelando também o grande sentimento de preocupação interna no clube.
“Eu vejo o torcedor olhando de uma maneira muito preocupada, como qualquer um de nós, estamos preocupados. Não é um ambiente, não é o tipo de página jornalística que um clube futebol deveria frequentar, mas, enfim, hoje estar nas páginas policiais é uma coisa preocupante”, admitiu ele.
“Eu que sou nascido dentro de São Paulo, meu pai já era são-paulino, foi atleta do São Paulo, enfim, eu tenho uma história no futebol, são-paulino desde antes de nascer, então eu estou bastante triste, bastante chateado com o que está acontecendo”.
“O que está acontecendo é muito ruim para São Paulo. É muito ruim para a imagem do São Paulo e inclusive para o futebol, nós vamos começar agora um Campeonato Paulista com esse tipo de discussão. Então, de alguma maneira, eu acho que o torcedor deve sim estar preocupado e espero que nós resolvamos tudo isso da maneira mais rápida possível para que a gente passe uma borracha nesses episódios que veem acontecendo no São Paulo”.
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Veja as principais respostas do presidente do Conselho tricolor:
Por que a data do impeachment mudou?
“Estou servindo aos interesses do São Paulo. Nenhuma das decisões tomadas fere o Estatuto do clube. A data da votação foi alterada porque mudou o embasamento da própria votação. Pelo Estatuto, os editais precisam ser publicados com oito dias de antecedência e, ao se alterar o regulamento, torna-se obrigatória a definição de uma nova data”.
E a contradição no quórum que favorece Casares?
“Sobre a mudança de quórum, trata-se de uma questão relevante. Existem, de forma surpreendente, dois artigos no Estatuto que tratam do mesmo tema, o 58 e o 112. O artigo 58 estabelece quórum de 75% dos conselheiros para a aprovação, incluindo o afastamento do presidente. Já o artigo 112 prevê a necessidade de dois terços. Há, portanto, uma contradição”.
“Em situações assim, prevalece a norma mais favorável, conforme o princípio jurídico do in dubio pro reo. Sempre que houver duas normas sobre o mesmo assunto, aplica-se aquela que beneficia mais. Foi com base nisso que a alteração foi feita, sem qualquer relação com interesses pessoais ligados à minha função”.
Sem lado político
“Como presidente do Conselho Deliberativo, preciso exercer minha função sem alinhamento político, atuando pelo lado do São Paulo, sem identificar se estou do lado A ou B. É isso que tem orientado a condução desse tema. Você pode imaginar que sofri pressões de todas as ordens. Em momentos assim, seria até fácil recuar”.
“Houve pressões para que retirássemos ou déssemos apoio a este, ou àquele, mas não apoiamos ninguém. Nosso papel é organizar, administrar e cumprir o que determina o Estatuto. Essa é a nossa posição e a forma como temos administrado o São Paulo, às vezes de maneira mais incisiva, outras menos, inclusive em relação ao próprio presidente da Diretoria”.
A polêmica do voto presencial
“O voto presencial é a forma pela qual exercemos o nosso direito de votar e não há possibilidade de que isso seja contestado em qualquer esfera. Não se trata de uma decisão pessoal ou baseada em entendimento individual, mas de algo previsto nas normas do São Paulo. A chance de judicialização com êxito é zero, não há a menor possibilidade disso acontecer”.
“Quanto às responsabilidades pelos atos praticados, eu assumo todas. Tudo foi pensado, analisado e embasado, com pareceres jurídicos que respaldam as decisões. Por isso, estamos tranquilos em relação ao processo”.










