Quase que nas últimas horas da sexta-feira (29) em que oficializou a sua saída do cargo de diretor de futebol do São Paulo, Carlos Belmonte usou suas redes sociais para divulgar uma nota em que diz que a decisão foi tomada, em partes, “para passar mais tempo com a família.”
Entretanto, horas antes, o dirigente já havia revelado que um de seus maiores sonhos para o futuro vão além do convívio familiar.
Um desejo conhecido até pelos muros do Morumbi: o de concorrer à sucessão de Julio Casares na presidência do clube nas eleições previstas para acontecer no final do ano que vem.
“Estou livre para conversar com as pessoas e mostrar meu trabalho. Tenho o que mostrar e vou me preparar para a nova batalha”, disse Belmonte em tom alto e claro ao blog do jornalista Luís Augusto Símon, o Menon, no portal ‘Fórum‘.
Para isso, ele conta com seu grupo político, o Legião: “Somos 50 e estamos bem fechados, juntos há um bom tempo”, completou.
Um dos assuntos em que o grupo está fechado é a criação do Fundo de Investimento em Participações (FIP) de Cotia, que foi aprovado pelo Conselho de Administração em agosto, mas até hoje não foi submetido ao Conselho Deliberativo.
Internamente, existe a certeza de que isso não aconteceu devido à grande chance de o projeto ser reprovado, devido à forte rejeição dos termos que foram divulgados. E o posicionamento de Belmonte e o Legião segue nessa linha.
“Somos contra. A oposição tem 55 votos e também é contra. Com mais 20 votos, o projeto não passa”, explicou. Hoje, o Conselho tem 255 conselheiros, e o projeto precisa de maioria simples para ser aprovado. E a falta de apoio de Belmonte e seus aliados ao projeto é apontado por fontes consultadas pela reportagem pelo estopim do rompimento entre o ex-diretor de futebol e o presidente.
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A bem da verdade, o desgaste já vinha desde o final do ano passado, quando o então dirigente do futebol não concordou com o corte de gastos do departamento por meio do FIDC e reclamou que não foi consultado. Vendo o carro chefe do clube acumular prejuízos por conta de alto custo e não garantir conquistas esportivas, Casares escanteou o então aliado da escolha para ser o candidato da situação nas eleições.
Os reflexos da saída de Belmonte da gestão Casares deverão ser intensos. Existe a expectativa de que o Legião possa apoiar a solicitação de renúncia encaminhada a Casares por um grupo de conselheiros, conforme revelou o AVANTE MEU TRICOLOR.
Essa aproximação com os oposicionistas poderá ser ampliada, inclusive com a construção de uma aliança para o pleito do ano que vem.
Belmonte não confirmou esse detalhe, mas sugeriu com extrema franqueza sua viabilidade. “Só posso dizer que sou uma pessoa que nunca desrespeitou alguém de oposição. Nunca”, completou.
Além de Belmonte, deixam o futebol são-paulino os adjuntos Nelson Marques Ferreira, o Nelsinho, e Fernando Bracalle Ambrogi, o Chapecó. Em nota oficial, o clube do Morumbi informou que o executivo Rui Costa e o coordenador Muricy Ramalho seguem no comando do futebol “e organizando o planejamento para 2026”.
Nós já revelamos aqui anteriormente que no momento de maior crise interna do clube, após a eliminação na Copa Libertadores e sem conseguir engatar uma série de vitórias no Campeonato Brasileiro, Casares foi duramente pressionado por aliados para que mudanças ocorressem na Barra Funda. E aqui pode-se ler que a principal delas era a saída de Belmonte.
Ocorre que existem dois problemas. O primeiro, mais óbvio, Casares não queria reforçar fileiras oposicionistas demitindo o diretor de futebol que um dia foi o seu grande aliado. O outro, mais prático, é a ausência de um nome para substituí-lo sem causar mais rusgas à sua base de apoio. O futebol profissional é o carro chefe do São Paulo. É o posto mais prestigiado. E o escolhido iria ser visto como um indicativo óbvio de escolha do mandatário para sua sucessão.
A saída, então, para o indeciso presidente, que não quer desagradar nem gregos, nem troianos, seria efetivar Costa, profissional de fora, o que lhe ajudaria inclusive a passar um ar mais profissional à sua despedida da cadeira de quem manda, fundamental para limpar um pouco a imagem arranhada neste ano, quando passou a ser ofendido nas arquibancadas.
Fora isso, teria um impacto, digamos, menor. Sim, Belmonte pode ser xingado por torcedores (e até por diretores), mas ganhou status nos cinco anos no cargo, sendo respeitado por jogadores, empresários e até dirigentes rivais. A grosso modo, a efetivação de Costa representaria um continuísmo.
Por outro lado, a entrada de Carlomagno no cotidiano do CT tinha exatamente esse viés de aumentar a fidelidade na Barra Funda, um terreno que passou a ser mais pantanoso para os ‘casaristas ferrenhos’, com Belmonte cada vez mais distanciado do presidente. Mas o tiro saiu pela culatra. O superintendente tinha o pedido de chegar chutando a porta. Mas encontrou um ambiente controlado por Belmonte. E cercado por pessoas que se tornaram leais ao diretor. Da rivalidade implícita, surgiu a cumplicidade entre os dois. E veio o anúncio interno do escolhido de que seus planos não incluem ser candidato à sucessão.
A reportagem já revelou anteriormente que Casares e Belmonte não falam mais a mesma língua há cerca de três meses, desde que Belmonte foi ofendido por um diretor do clube em mensagem vazada por aplicativo. Apesar do clima de cumplicidade que Casares tentou transmitir em entrevista coletiva concedida no CT da Barra Funda, a coisa só se complicou desde então, após o diretor de futebol ter a certeza que não será o indicado para concorrer à sucessão do presidente no final do ano que vem. E ressaltar que seu grupo político é contra o projeto do fundo de investimento e participações (FIP) para as categorias de base em Cotia.










