Sumiço de R$ 7 milhões pode levar à reprovação do balanço e terminar na expulsão de Casares

Casares isolado no salão nobre aguardando a votação do seu processo de impeachment, em janeiro (Reprodução)

A gestão de Julio Casares, que renunciou em janeiro em meio a diversos escândalos de corrupção, pode ser protagonista de mais uma história no mínimo mal contada.

Entre os pontos mais sensíveis discutidos pelos conselheiros do São Paulo na quarta-feira (25), durante a abertura da votação do balanço financeiro de 2025, o último sob a batuta do investigado ex-presidente, a ausência de explicações para saques em dinheiro ganhou destaque.

A exposição do diretor executivo de finanças Sérgio Pimenta indicou retiradas que somam aproximadamente R$ 11 milhões, vinculadas à antiga presidência. Deste total, apenas R$ 4 milhões contam com justificativas detalhadas, relacionadas a despesas como arbitragem e premiações.

Os quase R$ 7 milhões restantes aparecem sob a rubrica genérica de “fundo promocional da presidência”, sem documentação que permita identificar destino ou finalidade.

A inconsistência já havia sido destacada pela auditoria independente da RSM, que registrou ressalva logo no início de seu parecer. “Não nos foi possível obter evidência de auditoria apropriada e suficiente que corroborasse parte desses saques”, apontou o relatório, mencionando a ausência de documentos que validassem a efetiva destinação dos recursos.

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O trecho se tornou um dos principais elementos de questionamento interno, por indicar falha estrutural de controle. Durante a reunião, Pimenta afirmou que não consegue precisar para onde foram destinados os valores.

A falta de transcrição oficial da sessão limita a verificação documental imediata das falas, que só poderão ser conferidas com a divulgação da ata.

Procurado, Casares pediu tempo para avaliar o conteúdo discutido. O clube não se manifestou oficialmente, assim como o próprio Pimenta.

Os saques também são objeto de inquérito policial, que investiga ainda depósitos em dinheiro, na ordem de R$ 1,5 milhão, na conta de Casares. Por ora, não há vínculo conhecido entre os valores retirados das contas do clube e esses recebimentos.

No âmbito interno, a repercussão foi imediata. Em documento enviado às presidências do Conselho Deliberativo e do Conselho Fiscal, o conselheiro fiscal Paulo Faria recomendou a rejeição das contas. Para ele, a ressalva da auditoria é “contundente e não deixa margem para opinar pela aprovação das contas de 2025”, destacando a impossibilidade de comprovar a destinação dos recursos sacados.

O posicionamento individual contrasta com o parecer coletivo do Conselho Fiscal, que não indicou formalmente aprovação ou rejeição.

A pressão política também se reorganizou. Grupos como o Legião Tricolor e o Participação encaminharam manifestações sobre o cenário geral. O primeiro defendeu que, em caso de aprovação do balanço, sejam registradas ressalvas formais em ata, enquanto o segundo sugeriu “uma reconstrução institucional profunda”. Ambos, no entanto, integravam a base de apoio de Casares até poucos dias antes de seu afastamento, sendo que o ex-presidente era membro do Participação.

Seja como for, a nova denúncia que recai sobre a antiga gestão já surtiu efeito. Conforme o AVANTE MEU TRICOLOR apurou, um grupo de conselheiros se mobiliza para colher assinaturas e encaminhar ao Comitê de Ética a análise da votação da expulsão de Casares do clube.

* Com Alexandre Giesbrecht, do ANOTAÇÕES TRICOLORES (conheça mais sobre o projeto parceiro clicando aqui)

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