JÁ SÃO 21 ANOS! O feito que eu e mais 72 mil torcedores do São Paulo jamais esqueceremos no tri da Libertadores

São Paulo voltou a conquistar a América em 2005 (Foto: Divulgação/SPFC)

E lá se vão 21 anos da última grande conquista internacional do São Paulo no Morumbi. Em 14 de julho de 2005, eu e mais 72 mil torcedores abarrotamos o estádio tricolor e celebramos o tricampeonato da Libertadores da América, após goleada por 4 a 0 sobre o Atlético-PR.

É quase que indescritível em palavras. Alegria, prazer, êxtase, emoção, alívio, euforia, amor! Quem estava lá, vai entender. E quem não estava, também. O então ‘bicho-papão’ do início dos anos 90, quando o esquadrão de Telê mostrou ao mundo que não havia futebol melhor do que o são-paulino, enfim voltava a mandar na América.

Foram 12 anos de espera desde o título de 1993. Eu e mais tantos outros tricolores não sentimos antes o que era ser campeão da América. Este jornalista que vos escreve já era são-paulino, mas sem idade ainda para ter memórias de glórias.

O Tricolor sofreu duros dez anos até voltar a disputar a competição preferida da nossa torcida. O título de 2005 nasceu dessa sede de vitória acumulada por uma década.

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A história recomeçou em 2004. Após tropeços na busca pela vaga em 1999, 2000 e 2002, o São Paulo, com a terceira colocação obtida no Brasileirão de 2003, enfim reconquistou o direito de disputar a Copa Libertadores da América.

Quem acompanhou a trajetória tricolor naquele ano, sofreu. O time vinha bem, alcançou as semifinais, mas foi eliminado no último minuto pelo Once Caldas, da Colômbia, futuro campeão.

Deixou água na boca. O Tricolor não se contentou. Ao fim do Brasileirão de 2004, novo terceiro lugar na classificação final e vaga mais uma vez garantida na competição internacional. Agora era preciso ser campeão!

E o time engrenou. Três zagueiros, Mineiro e Josué desfilando no meio, com os excelentes alas Cicinho e Júnior, ganharam as companhias de dois craques no ataque, Luizão e Amoroso, este segundo que já chegou na reta final da competição, para dar o toque de qualidade que faltava na frente.

A formação do São Paulo que goleou o Atlético-PR na final da Libertadores de 2005

Nem mesmo a troca de técnicos, de Leão por Paulo Autuori, atrapalhou a mágica campanha de 2005. Na fase decisiva da Liberta, o São Paulo desbancou um tradicional freguês no torneio. O Palmeiras caiu frente ao Tricolor com duas derrotas (1 a 0 no Palestra Itália e 2 a 0 no Morumbi).

Nas quartas-de-final, em casa, partida sensacional do capitão Rogério Ceni (dois gols marcados e ainda um pênalti perdido), 4 a 0 no Tigres, do México. O jogo de volta foi a passeio, mas custou a invencibilidade no torneio. A semifinal, contudo, contra o River Plate, parou toda a América Latina.

O que o Tricolor desconhecia era um esquema envolvendo o árbitro do jogo para favorecer a equipe portenha. De nada adiantou, com Amoroso, recém contratado, o São Paulo faturou: 2 a 0 em casa e 3 a 2 fora. Quinta final de Libertadores na história!

Os duelos contra os paranaenses foram no Beira-Rio – o Atlético à época ainda não possuía um estádio que se encaixasse nas exigências do regulamento para a final do torneio internacional – e no Morumbi. No jogo de ida, empate por 1 a 1. A consagração ficou para a casa tricolor.

Na contagem oficial, 71.986 pessoas estavam presentes no estádio naquele dia. Nunca vi o Morumbi tão cheio. Nada me tira da cabeça que eram mais de 80 mil cabeças à expectativa do título.

Em um primeiro tempo duro, com o rival perdendo pênalti, o craque Amoroso abriu o placar para iniciar o sonho. Na segunda etapa, Fabão, Luizão e Diego Tardelli facilitaram as coisas, transformando a ambição em goleada e explosão.

“O time de 2005 era fantástico, como ser humano. Eram pessoas fora de série. Acho que era um time que se complementava. Se eu disser que era o time mais técnico e bonito, acho que não. O de 1992 e 1993 era um time mais técnico. Se eu disser que era o time com mais alma e coração que eu joguei no São Paulo, aí eu posso dizer que sim”, falou o hoje técnico Ceni.

O ídolo maior Rogério Ceni ergueu a taça após fazer a maior competição de sua vida, e a torcida obviamente não esquece o antigo mestre que começou tudo aquilo: os gritos de “Telê, Telê” ecoaram no Morumbi e ainda permeiam nas mentes de todo tricolor apaixonado.

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