Pepe Chamurro, empresário de Arboleda, procurou o São Paulo na manhã desta segunda-feira (13) com uma proposta autorizada pelo zagueiro de 34 anos, há mais de uma semana sem dar as caras no clube, para rescindir de vez o seu contrato.
De acordo com o apurado pelo AVANTE MEU TRICOLOR, Arboleda sugeriu abrir mão e valores que ainda tem a receber, incluindo atrasados e salários e luvas até o fim do contrato, em 2027, para obter a liberação.
Ou seja, o equatoriano sugeriu uma saída amigável no ‘zero a zero’: deixaria o clube sem receber um centavo do que ainda tem direito.
Parece tentador, mas o fato é que o São Paulo não quis nem discutir com o estafe a ‘proposta’. Por dois motivos. O primeiro deles, óbvio, é que o clube exige a presença de Arboleda no CT da Barra Funda para discorrer o assunto. Não admite que a coisa seja tratada virtualmente, até por uma questão de respeito, como justificado.
Mas óbvio que a coisa vai além. Um dos pontos falados à reportagem por fontes da cúpula são-paulina passa pelo fato de que a diretoria suspeita que Arboleda já tenha em mãos propostas para assinatura de um novo contrato assim que estiver livre. Sabe, inclusive, que até rivais, como o Santos, estão de olho no jogador. E ante à situação, não quer facilitar as coisas.
Por mais que o presidente Harry Massis Júnior tenha falado internamente em dispensa imediata, o departamento jurídico diminui a tensão, não trata como simples uma eventual rescisão unilateral, com cobrança de multa ao atleta ou a um futuro clube. A disputa jurídica não oferece total segurança neste momento. O clube sabe que não tem como arrancar dinheiro do endividado Arboleda. E que a coisa se arrastaria por anos. Isso se tratando de um atleta de 34 anos, próximo da aposentadoria.
No CT da Barra Funda, o caminho que parece mais plausível neste momento é o de Arboleda se reapresentar e só então se tratar de uma negociaçãocom outro clube para sua saída. Dirigentes do futebol já avisaram o empresário que querem ele treinando em horários separados (afinal não joga mais pelo Tricolor).
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O CASO
O São Paulo ainda aguarda uma justificativa de Arboleda para a ausência iniciada no último dia 4 (sábado), quando o zagueiro não se apresentou para o jogo contra o Cruzeiro. Após notificação formal com prazo de 24 horas, o clube não recebeu resposta imediata e passou a tratar o caso como potencial abandono de emprego, embora mantenha cautela antes de formalizar qualquer ruptura definitiva.
O AVANTE MEU TRICOLOR apurou que a diretoria foi surpreendida pela postura, especialmente por ter acertado recentemente o pagamento de valores atrasados de luvas e bônus.
Conforme relatado à reportagem, o presidente Harry Massis Júnior e integrantes do departamento jurídico estão garantindo abertamente que o clube “não vão gastar um centavo com a saída do jogador”. Ninguém mais trabalha com a possibilidade de reintegração do zagueiro.
Arboleda deixou o Brasil e viajou ao Equador, onde foi visto num estádio em Guayaquil na quarta-feira (8), um dia após a estreia do Tricolor na Copa Sul-Americana. Imagens mostram o defensor acompanhando uma partida da segunda divisão local.
Enquanto isso, o clube enviou nova notificação estipulando dez dias para reapresentação, prazo que antecede a possibilidade de rescisão unilateral.
A avaliação interna é de que o episódio difere de ocorrências anteriores. Em 2026, o zagueiro acumulou quatro atrasos, incluindo reapresentação tardia na pré-temporada e viagem ao Equador durante o Carnaval, mas em todas houve algum tipo de comunicação. Desta vez, além do silêncio inicial, houve descumprimento direto de uma convocação para jogo, o que alterou a postura da diretoria.
No campo, Arboleda já vinha perdendo espaço, com participação em apenas 11 dos 20 jogos da temporada. Nos últimos dias, houve um primeiro movimento de aproximação. Arboleda teria sinalizado ao clube, por meio de seu estafe, o interesse em discutir uma rescisão em reunião entre as partes. Entretanto, caso a ausência não seja justificada, o São Paulo teria a intenção de rescindir por justa causa e acionar a cláusula indenizatória.
Para o mercado nacional, a multa prevista é de R$ 300 milhões; em eventual transferência internacional, o montante pode chegar a R$ 100 milhões de euros (cerca de R$ 596 milhões).
A estratégia inclui tentar responsabilizar um futuro clube interessado, embora especialistas ouvidos apontem que isso depende de comprovação de indução à quebra contratual.
Esses especialistas indicam que o desfecho jurídico depende das cláusulas específicas do contrato.
A possibilidade de cobrança integral da multa em casos de justa causa não é automática, e a tendência em decisões recentes da Fifa é de buscar recomposição financeira baseada no restante do vínculo e em eventuais prejuízos comprovados.
O caso remete a disputas anteriores envolvendo atletas que deixaram clubes sem acordo, mas com entendimentos atualizados sobre responsabilidade solidária.










