Pela quarta vez seguida, o São Paulo estreou um novo uniforme 1 com vitória, ao derrotar o Grêmio, no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro. A pesquisa é do Arquivo Histórico do São Paulo.
Assim, o clube permanece invicto ao usar pela primeira vez os modelos brancos de seu fornecedor atual, a New Balance, com quem tem contrato desde o início de 2024.
No total, a invencibilidade chega a nove estreias de seu principal uniforme, com a última derrota tendo vindo em abril de 2017, quando a versão daquele ano, fabricada pela Under Armour, viu uma derrota por 2 a 0 para o Cruzeiro, pela Copa do Brasil, ao ser envergada pela primeira vez.
Nas 35 estreias da camisa 1 neste século, o Tricolor obteve 23 vitórias, cinco empates e sete derrotas.
O novo uniforme causou uma grande polêmica, por causa da maneira como o escudo foi colocado, com uma borda branca que interrompeu as faixas horizontais, existentes em todas as versões desde a fundação do clube, em 1930.
A descrição da camisa no estatuto foi evocada por alguns conselheiros, por mencionar que as faixas devem ser “cobertas inteiramente pelo emblema”, mas isso não aconteceu de maneira consistente em nenhuma das versões da camisa branca que a equipe usou neste século.
O fato de o material ter sido produzido em larga escala inviabilizaria qualquer iniciativa de mudança no layout das peças ou no cronograma. Tanto o São Paulo como a New Balance se recusaram a comentar sobre a polêmica.
Para os jogadores, no entanto, não houve nenhum problema. “(A camisa) estreou com vitória”, comemorou Lucas Moura. “Foi um belo jogo da nossa equipe, com mais três pontos. Gostei da camisa. A camisa do São Paulo é linda demais, (mas) eu sou suspeito para falar. Espero que nós tenhamos muito sucesso com esta nova camisa.”
Marcos Antônio também aprovou o novo uniforme: “Eu gostei. Começamos bem com ela.”
Por fim, Calleri foi o mais enfático e o único a mencionar a polêmica: “Eu vi muita controvérsia, mas gostei da camisa e dos detalhes. Claro que não sei nada do estatuto. Eu só me dedico a jogar bola e a fazer gols.”
A camisa já está à venda na internet, por meio da loja virtual da New Balance e do e-commerce do São Paulo. A comercialização em lojas físicas começa nesta quinta-feira (12). Os preços do uniforme variam entre R$ 399,99, na versão torcedor, e R$ 599, na versão jogador.
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TRETA PROMETIDA
Tão logo alguns influenciadores tricolores receberam a peça por meio de ação publicitária da New Balance, fizeram questão de fotografar o fardamento e vazar nas redes sociais. Funcionários de lojas esportivas também colaboraram para antecipar a camisa.
A reação foi imediata. E foi a mais negativa possível. De início, muitos adjetivos desaprovando o fardamento.
Mas a coisa escalonou.
Conselheiros e sócios influentes do São Paulo utilizaram também as redes sociais para chamar a atenção sobre um fato: a nova camisa não cumpriria o que é regimentado pelo Estatuto são-paulino.
Uma das vozes mais contundentes na oposição ao ex-presidente Julio Casares e certamente um dos conselheiros mais conhecidos (até pela sua atuação como comentarista esportivo na TV), Marco Aurélio Cunha foi o primeiro a alertar para a suposta infração.
O ponto central da polêmica é que o modelo não seguiria à risca o artigo 157 do Estatuto, especialmente no que diz respeito à posição do escudo e à forma como as faixas horizontais em vermelho, branco e preto estão dispostas no peito.
De acordo com as fotos vazadas do novo uniforme, a New Balance inventou moda e meio que interrompe as faixas horizontais no peito, formando uma espécie de contorno. Em imagens vazadas no mês passado, não havia a inovação.
Para Cunha e outros conselheiros, a nova versão descaracteriza o uniforme tradicional titular do Tricolor.
O Estatuto são-paulino determina que a camisa branca principal deve trazer três faixas horizontais, nas cores vermelha, branca e preta, nessa ordem, totalmente cobertas pelo emblema do clube. Além disso, especifica inclusive a largura das listras: 5 centímetros para as faixas vermelha e preta e 2,5 centímetros para a branca.
Segundo o portal ‘Globo Esporte‘, o presidente Harry Massis foi alertado por conselheiros de que poderá haver uma representação no Conselho para barrar a vestimenta, caso ela seja confirmada, importante ressaltar.
Tais alterações só poderiam ser feitas em um modelo número 3, que geralmente é utilizado pelos clubes para fugir dos padrões tradicionais das camisas 1 e 2.
A nova camisa não deixa de ser, digamos assim, uma herança de Casares, já que o novo modelo, segundo o site, teve um parecer jurídico positivo em julho do ano passado, ainda sob a gestão do ex-presidente.
O documento, assinado pelo advogado Guilherme Salutti, cita o artigo 157 do estatuto são-paulino e que a “interpretação literal e extremamente restritiva não se mostra a mais correta” e que a imagem apresentada como modelo no estatuto é “meramente exemplificativa” e revela que o “emblema não precisa cobrir integralmente as faixas, havendo margem acima e abaixo”.
PARCERIA
O São Paulo encaminhou com a New Balance um acordo para renovar o contrato de fornecimento de material esportivo ao clube até 2032.
Conforme o AVANTE MEU TRICOLOR apurou, o acordo já era para ter sido anunciado oficialmente, mas acabou adiado por conta dos escândalos revelados que culminaram no afastamento de dois diretores da gestão Julio Casares.
Em um primeiro momento, é mais um parceiro comercial do Tricolor que garante a manutenção no clube até 2030, ano em que será comemorado o centenário. Outros patrocinadores, como a Superbet, já prorrogaram seus vínculos.
O acordo entre São Paulo e New Balance se iniciou em janeiro de 2024 e tem duração até o fim de 2027.
Se a renovação for consumada, o acordo passará a ter duração total de nove anos, consolidando uma das relações mais longevas do futebol brasileiro no segmento. Se tratando de São Paulo, se cumprido o novo contrato na íntegra, a New Balance será a empresa que forneceu por mais tempo seguido os uniformes para o clube. Reebok (2006-2012), com sete anos, é a atual recordista.
Desde o início da parceria, a New Balance é responsável pela produção dos uniformes das equipes masculina e feminina do São Paulo, abrangendo todas as categorias, das divisões de base ao elenco profissional. O contrato também inclui o desenvolvimento de produtos licenciados e ações comerciais conjuntas.
Vale lembrar que a marca estadunidense neste ano deixa de atender exclusivamente o São Paulo. Ela também passará a fornecer os uniformes do Grêmio, o que na prática faz com que a carência de um ano de atendimento único ao Tricolor, previsto no contrato, nunca ser cumprido (o clube do Morumbi permitiu que a New Balance continuasse atendendo o Bragantino até o término do Campeonato Paulista do ano passado).











