PRÍNCIPE DA PAZ: Massis esfria fervura antes de clássico, exalta relação com Leila e minimiza treta de diretores

Harry Massis ao lado de dirigente palmeirense em reunião na Federação Paulista (Rodrigo Corsi/Agência Paulistão)

Ao passo que Rui Costa, seu executivo de futebol, respondeu questionamentos sobre a preocupação com a arbitragem para o clássico deste sábado (21), no Morumbi, gerando reações exacerbadas pelo lado palmeirense, o presidente do São Paulo, Harry Massis Júnior, fugiu do tom provocativo do rival.

Na última quinta-feira (19), durante o sorteio dos grupos da Copa Sul-Americana, o mandatário tricolor fugiu a polêmica e em fala conciliadora elogiou o gaúcho Anderson Daronco, árbitro do jogo que acontece às 21h (de Brasília), no Morumbi, e ainda enfatizou que possui boa relação com a presidente rival, Leila Pereira.

“Acho que o Daronco é um excelente árbitro, tem tudo para levar o clássico tranquilamente. Temos toda confiança nele, não tem dúvidas. Nos bastidores, deixa eles discutirem, nós não temos problemas. Eu e a Leila nos damos muito bem. Eles têm que fazer isso, brigar pelo clube que trabalham, mas estamos tranquilos”, disse.

Importante ressaltar que a fala de Massis à ‘ESPN‘ ocorreu antes da resposta até certo ponto hipócrita da palmeirense, à ‘Globo‘, onde concordou com seu executivo de futebol, Anderson Barros, e provocou, mencionando o longo jejum de vitórias do Tricolor sobre o time verde.

Ou seja, de certa forma, enquanto Massis jogou água gelada no incêndio, Leila jogou gasolina.

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“O São Paulo tem que lembrar que nós vencemos os últimos cinco jogos contra eles e estamos invictos há onze jogos. Será que é sempre a arbitragem que nos beneficia? Sempre ou é o gramado ou é a arbitragem.” Ela também citou o lance de 2022, ignorando as muitas polêmicas mais recentes que favoreceram seu time: “Por que ele não lembrou o que aconteceu na Copa do Brasil em 2022? Poderia lembrar. O que fizemos? Reclamamos, falamos, conversamos na CBF, e bola para frente. Não fico querendo colocar pressão antes de um clássico tão relevante.”

Há um ponto de partida que não deveria ser controverso: o São Paulo tem motivos objetivos para reclamar da arbitragem em jogos recentes contra o Palmeiras, numa sequência de lances relevantes, com impacto direto em resultados, que foram amplamente questionados e, em alguns casos, quase consensuais. Ainda assim, às vésperas de mais um Choque-Rei, o debate público tomou um rumo curioso.

Quem abriu a discussão foi Abel Ferreira, não para tratar de episódios específicos, mas para sugerir uma teoria difusa de complô envolvendo “dois ou três times”, totalmente vazia de sustentação. A resposta tricolor veio em tom mais simples: Rui Costa limitou-se a estabelecer um fato — os prejuízos recentes — e a pedir algo elementar: que “a equipe de arbitragem aplique a regra”. Mesmo sem nenhuma insinuação, foi suficiente para provocar a reação do diretor de futebol palmeirense Anderson Barros, que optou por direcionar sua crítica ao dirigente são-paulino, e não ao próprio treinador, que havia iniciado a polêmica. Ele chamou a manifestação de “oportunista” e afirmou que “o futebol está muito além desse tipo de prática que era feita no passado”. Fica a dúvida: que prática? E por que ela é associada a quem pede apenas cumprimento de regra?

A incoerência se amplia quando o mesmo discurso passa a invocar uma suposta “forma de agir” histórica do São Paulo, sem que ele esclareça exatamente do que se trata. Ainda mais quando confrontado com a própria sequência recente de erros em Choques-Rei, incluindo o clássico de outubro, em que múltiplos lances favoreceram o lado alviverde. Soa como uma tentativa de deslocar o foco.

Na mesma linha, a presidente Leila Pereira recorreu ao termo “histéricos” para classificar as manifestações tricolores, ao mesmo tempo em que mencionou um suposto erro em 2022, também citado por Barros e igualmente ignorado o histórico mais recente. Ela ainda afirmou não gostar de criar pressão antes de clássicos. A contradição é evidente: a pressão que ela diz evitar já havia sido colocada anteriormente, de forma muito mais incisiva, por um subordinado seu, reforçando a sensação de discurso seletivo.

O que se viu nas últimas 48 horas foi um contraste claro de posturas. De um lado, um clube que tem histórico recente que sustenta suas reclamações e optou por uma abordagem direta. Do outro, um conjunto de falas que oscilam entre a acusação sem base concreta e a crítica a comportamentos que, na prática, são reproduzidos por quem os condena. Em meio a isso, o jogo de amanhã acaba contaminado por um ruído que pouco acrescenta à discussão central: a necessidade de uma arbitragem que simplesmente cumpra a regra.

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