Candidato à presidência pela oposição quer CEO renomado, e Rafinha deve perder espaço: “O São Paulo não é lugar para testes”

Marcelinho Portugal Gouvêa falou sobre seus planos (Foto: Divulgação)

Candidato da oposição à presidência do São Paulo, Marcelo Portugal Gouvêa, o Marcelinho, segue apresentando seus planos para a eleição de dezembro no clube, enquanto a situação segue com problemas até mesmo para construir sua chapa, ainda inexistente.

Se vencer, as mudanças no Tricolor serão muitas, a começar pelos cargos diretivos, que serão muito mais técnicos e profissionais no que depender de Marcelinho. O atual diretor Rafinha está em sério risco caso ele seja eleito o novo presidente.

“Queremos um CEO que chegue a um banco e seja recebido pelo presidente, sem precisar pedir favor para ser atendido. Um CFO conhecido no mercado — talvez não pela torcida”, disse o candidato em entrevista publicada pelo Estadão nesta segunda-feira (2).

“Meu plano é aberto e todos concordaram com uma gestão profissional, sem conchavos políticos. Se depois quiserem mudar de ideia, podem sair. Não me preocupo com isso porque não estou no poder pelo poder, nem pensando em reeleição. Estou pensando em pavimentar a reconstrução do São Paulo. Foi criada uma cultura de aclamação. Não estou atrás disso. Preciso apenas de pessoas que pensem como eu do meu lado”, atacou Marcelinho.

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O ‘novo’ São Paulo

“A diretoria executiva profissional vai ser organizada da seguinte forma: haverá um CEO de mercado que vai organizar isso. E daí é importante sobre a questão do perfil: não adianta eu pegar um CEO que não esteja acostumado com a grandeza do São Paulo, com uma empresa que tenha uma receita de centenas de milhões ou de R$ 1 bilhão. A gente precisa de uma pessoa com essa característica”.

“O antigo CEO, que até foi expulso do clube envolvido em escândalos, nunca tinha tido esse tipo de experiência antes de assumir o São Paulo. O São Paulo não é lugar para testes. Precisamos pegar pessoas de mercado. Queremos um CEO que chegue a um banco e seja recebido pelo presidente, sem precisar pedir favor para ser atendido”.

“Da mesma forma, o CFO tem de ter trânsito em bancos, falar com os melhores bancos e ser conhecido no mercado. Talvez não pela torcida, mas por onde ele vai transitar, que são os bancos. É por isso que falo da questão do perfil. Tenho o “job description” de tudo o que quero e das funções, para dar esse perfil ao “headhunter” achar a melhor opção no mercado que possa ser contratada e tenha interesse em trabalhar no São Paulo”.

“Não são pessoas que eu conheço e que a torcida deva conhecer, mas são pessoas que o mercado conhece em cada área: no CFO, no CEO, no diretor comercial, no diretor de marketing. O diretor de futebol, provavelmente a torcida já ouviu falar, porque é alguém que já trabalhou em outro clube, mas o fato é que não é meu amigo. Vamos pegar alguém que atenda às funções que entendemos necessárias neste momento para o São Paulo”.

E a SAF?

“No Brasil, já tivemos exemplos que deram certo e exemplos que deram errado. O que realmente importa é a questão da gestão: como você vai organizar isso e quais pessoas estarão envolvidas. Em vários exemplos de SAF no Brasil, vendeu-se o controle para pessoas que não estavam preparadas, e depois os clubes tiveram de mudar as empresas por causa disso. Por outro lado, há clubes que não viraram SAF e estão disputando títulos sempre porque encontraram a fórmula das pessoas certas nos lugares certos, fazendo a coisa certa”.

“Não existe solução mágica. O torcedor precisa entender que, se o São Paulo resolver virar SAF, a situação não estará resolvida no dia seguinte. Depende muito de quem estiver lá. Sobre virar SAF ou não, essa é uma discussão que foge da alçada do presidente. É uma decisão que tem de partir do Conselho Deliberativo, com quórum mínimo de aprovação, e depois ser discutida na Assembleia de sócios, como determina o estatuto”.

“O que depende do presidente é uma gestão profissional, via SAF ou via modelo associativo. Você consegue fazer uma gestão profissional com pessoas certas, funções bem definidas e metas estipuladas — o que o estatuto do São Paulo já determina, mas não foi cumprido por 10 anos por colocarem pessoas políticas lá. A partir do momento em que a gestão é profissional, com grande parte da remuneração atrelada a metas, se o profissional não atingir os resultados, pode ser demitido, porque o vínculo é estritamente profissional, sem amarras políticas”.

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