ENFIAR A FACA E TORCER? Retrospecto do São Paulo em clássicos com rival na lona é negativo

Tricolor empata em 0 a 0 no clássico do primeiro turno do Paulistão de 1987 (Morumbiteca)

Esta não será a primeira vez que o São Paulo enfrenta o Corinthians com o rival na zona do rebaixamento. Só que o aproveitamento tricolor nessas partidas não é bom: uma vitória, um empate e uma derrota, embora essa não seja toda a história. Há outros detalhes.

Em maio de 1987, o rival da zona leste ocupava a lanterna do Campeonato Paulista após 13 jogos quando teve um Majestoso pela frente, e o técnico Basílio não escondia a filosofia de seu time para o clássico. “Há muito tempo que sou da opinião de que devemos jogar como os pequenos. E agora não há jeito: vamos ficar na retranca, mesmo”, disse.

Do lado são-paulino, o técnico interino José Carlos Serrão também pretendia adotar uma postura mais cautelosa, porque o time havia entrado em campo pela Libertadores apenas dois dias antes. “O Corinthians está na lanterna, mas é sempre necessário entender que é um grande clube e que uma vitória sobre o São Paulo tiraria o time da crise em que se encontra. Assim, temos que pensar também em evitar uma eventual vitória desse adversário”, disse.

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Com Müller e Silas parecendo mais preocupados com a apresentação à Seleção Brasileira do que com o jogo, o marasmo do 0 a 0 foi grande, ainda que os dois lados tenham criado chances para vencer.

Os corintianos, inclusive, foram um pouco melhor e obrigaram o goleiro Gilmar a ser o melhor em campo. No segundo turno, quando os dois times voltaram a se enfrentar, o rival já estava longe da degola e até classificado à semifinal.

Dez anos depois, o Corinthians também brigou contra o rebaixamento, mas pelo Campeonato Brasileiro. Só que o Majestoso pelo torneio, vencido pelo Tricolor por 1 a 0, ocorreu ainda na primeira metade fase de classificação, quando as duas equipes ocupavam o meio da tabela.

Houve, no entanto, duas ocasiões em que os alvinegros terminaram a competição nacional na última posição, mas não havia rebaixamento: na Copa União, em 1987, e na Copa João Havelange, em 2000.

Na Copa União, o duelo foi ainda pela quinta rodada, com os corintianos já na lanterna, dividida com Bahia e Santa Cruz, todos com um ponto. Embora os dois rivais tivessem decidido o Paulistão pouco mais de um mês antes, não houve espetáculo, e mais uma vez não saíram gols. O resultado reduziu as chances tricolores de garantir a vaga do grupo A na semifinal e acabou com as corintianas.

Já na João Havelange, o São Paulo vinha de duas derrotas, mas brigava pela classificação às oitavas de final, enquanto o adversário tinha perdido em cada uma das dez rodadas anteriores, despencando até a penúltima colocação. As duas sequências de reveses foram quebradas, com mais um 0 a 0, num festival de erros de fundamentos. Os tricolores ameaçaram mais, mas esse cenário durou só até Sandro Hiroshi ser expulso. Com o time da zona leste passando a dominar as ações, o técnico Levir Culpi retrancou seu time até o apito final.

O Majestoso do Campeonato Paulista de 2004 não foi disputado com os corintianos na zona do rebaixamento, mas a vitória do Tricolor por 1 a 0 os colocou lá, dividindo a lanterna do grupo 1 com Portuguesa e Atlético Sorocaba, perdendo no terceiro critério de desempate. Na última rodada, uma simples derrota são-paulina para o Juventus teria rebaixado o Corinthians, mas os famosos dois gols de Grafite salvaram o arquirrival.

O Corinthians finalmente seria rebaixado no Campeonato Brasileiro de 2007, mas com pouca contribuição do São Paulo. O duelo do primeiro turno encontrou os alvinegros na décima posição, embora com o clube enfrentando uma denúncia de manipulação de resultados no dia anterior, que seria julgada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), mas acabaria em pizza. No clássico, mais um empate, este por 1 a 1.

O cenário era bem diferente no segundo turno: o Tricolor liderava, com 12 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, enquanto o rival ocupava o antepenúltimo lugar, ainda que com a mesma pontuação do Atlético-MG, primeiro time fora da degola, e do Paraná. A vitória corintiana por 1 a 0 não foi suficiente para deixar o time respirar, pois os mineiros também venceram na rodada. E, ao fim dos 38 jogos, o rebaixamento foi decretado.

Os quatro pontos ganhos às custas do São Paulo — que terminou campeão com quatro rodadas de antecedência — serviram somente para impedir que o Corinthians acabasse na penúltima colocação.

Por fim, em 2024 veio o único triunfo são-paulino nessas condições: assim como o jogo de hoje, ele teve mando do Tricolor, mas foi disputado longe do Morumbi, em Brasília. O 3 a 1 acabou até sendo decepcionante, pelo risco de empate que o time correu, mesmo jogando com dois atletas a mais, mas o objetivo de manter o adversário na zona do rebaixamento foi cumprido, embora ele tenha eventualmente se salvado.

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