A sustentação política do presidente Júlio Casares no São Paulo sofreu um abalo profundo com a saída coordenada de cinco grupos da chamada coalizão, bloco que lhe dava apoio formal.
Nos últimos dias, Vanguarda Tricolor, Participação São- -Paulina, Sempre Tricolor e Legião Tricolor decidiram, em comum acordo, romper com a gestão. Juntos, eles representam 125 dos 255 conselheiros do clube, número que impacta diretamente o controle político do cartola, especialmente às vésperas da votação do pedido de impeachment no Conselho Deliberativo, marcada para a próxima sexta-feira (16).
Talvez o êxodo mais impactante seja o do Participação, grupo político do qual o presidente, vejam só, é integrante. Sim, Casares foi abandono pelo próprio ‘partido’.
Com a debandada, a coalizão passa a contar apenas com Movimento São Paulo (MSP) e Força Tricolor, além do apoio simbólico do grupo “Super”, formado por José Eduardo Mesquita Pimenta, Ives Gandra Martins, Paulo Amaral Vasconcelos e Armando Souza Pinheiro.
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Internamente, a ruptura é vista como divisor de águas e reduz a margem de manobra do mandatário no Conselho. O bloco dissidente passa a ter peso decisivo não só na votação do impeachment, mas em qualquer rearranjo político de curto prazo.
Cada um dos grupos que deixaram a base possui trajetória relevante na política do clube.
A Legião Tricolor é coordenada por Carlos Belmonte Sobrinho, ex-diretor de futebol, que pediu demissão em novembro e já vinha sinalizando afastamento de Casares, em meio à intenção de disputar a presidência no final do ano.
O Vanguarda Tricolor tem como líder Marcelo Pupo, ex-presidente do Conselho Deliberativo, que votou contra o impeachment no Conselho Consultivo.
O Sempre Tricolor é comandado por Fernando Bracalle Ambrogi, o Chapecó, ex-diretor-adjunto de futebol, também demissionário em novembro. Já o Participação São-Paulina é liderado por Themístocles Almeida.
Paralelamente ao isolamento político, Casares tenta se defender das acusações que cercam seu mandato. Nos bastidores, tem assegurado a diferentes correntes que comprovará a origem lícita dos depósitos em dinheiro vivo em sua conta bancária, que estão sendo investigados pela polícia e foram revelados pela imprensa.
Na reunião de terça-feira (6) do Consultivo, que gerou um parecer contra seu afastamento, o cartola teria apresentado argumentos preparados por seus advogados, sustentando que nada ligaria os depósitos ao São Paulo nem comprovaria uma origem ilegal.
O presidente avalia que o debate extrapolou os fatos e ganhou contornos pessoais. A pressão se refletiu até em sua relação com a comunidade: anteontem, ele deixou um grupo de WhatsApp de sócios após provocações e ofensas. Ele também teria reunido mais de trezentas mensagens ofensivas de redes sociais, de olho em uma eventual ação judicial. Apesar do cenário desfavorável, Casares tem afirmado a pessoas próximas que não renunciará.
Em uma atitude ainda mais desesperada, Casares emitiu carta aos conselheiros do clube na noite de sexta-feira (9),em que apela ao bom senso, reitera que ainda não foi formalmente acusado de nada.










