O futuro de Julio Casares na presidência do São Paulo vai ficando cada vez mais nebuloso.
O novo dissidente da vez da gestão é o vice-presidente, Harry Massis Júnior, que anunciou a pessoas próximas na noite de domingo (11) que votará favorável ao impeachment do mandatário.
Segundo o estatuto, é ele quem assume o cargo em caso de afastamento do presidente, mantendo-se no cargo até o último dia de mandato, no fim de 2026.
O AVANTE MEU TRICOLOR apurou que o anúncio de Massis, feito publicamente ao ‘Globo Esporte’ foi o ponto final de planos organizados nos bastidores desde meados da semana passada, quando a coalizão que sustentava Casares no cargo acabou implodida.
Desde dezembro aliados de Casares vinham pressionando o vice-presidente, já que ele se mostrava reticente em assumir a cadeira máxima do clube. Chegou a cogitar que caso o presidente renunciasse, ele seguiria os passos (nesse caso, quem assumiria o posto era Olten Ayres de Abreu, presidente do Conselho Deliberativo).
O plano dos agora dissidentes é aconselhar Casares a renunciar, mantendo assim os seus direitos políticos no clube, e antecipar as eleições para o meio do ano, quando o calendário do futebol terá uma pausa por conta da realização da Copa do Mundo. Conversas nesse sentido foram realizadas com opositores e cardeais contrários ao presidente.
De certa maneira, antecipar o pleito atenderia Massis, que se mostrava reticente a ocupar a presidência, mas a companheiros de grupo político mudou o discurso e se disse pronto para assumir em caso da saída de Casares.
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CAOS
Na tarde deste domingo (11), uma revelação de voto deveras surpreendente. Pressionado por um torcedor, Antônio Donizeti Goncalves, o Dedê do Social, diretor social do clube, anunciou nas redes sociais que votará favorável ao impedimento de Casares.
Pode se tratar de jogo de cena, claro, visto que Dedê é mais que um braço-direito político de Casares. Sua relação com o presidente é de amizade e cumplicidade.
Tão logo, por exemplo, vazou-se a denúncia da venda ilegal de um camarote, Dedê teria sido uma das vozes mais ativas nas reuniões internas da coalizão de sustentação da gestão Casares a cobrar maior entusiasmo e apoio ao mandatário.
Aliás, os dois principais acusados no escândalo do camarote são seus principais aliados políticos no clube. Mara Casares dividiu o comando do social com ele em quase toda a gestão. Ao passo que Douglas Schwartzmann era o grande líder do grupo político ao qual Dedê integra.
Não foram raras as vezes que Schwartzmann fez campanha velada para o pupilo subir degraus internos no Morumbi, cobrando até sua entrada no futebol profissional e pleiteando o seu nome como um dos aspirantes à sucessão na eleição do final deste ano.
Seja como for, o posicionamento público de Dedê escancara o esvaziamento de Casares nos bastidores.
A sustentação política do presidente no São Paulo sofreu um abalo profundo com a saída coordenada de cinco grupos da chamada coalizão, bloco que lhe dava apoio formal.
Nos últimos dias, Vanguarda Tricolor, Participação São- -Paulina, Sempre Tricolor e Legião Tricolor decidiram, em comum acordo, romper com a gestão. Juntos, eles representam 125 dos 255 conselheiros do clube, número que impacta diretamente o controle político do cartola, especialmente às vésperas da votação do pedido de impeachment no Conselho Deliberativo, marcada para a próxima sexta-feira (16).
Talvez o êxodo mais impactante seja o do Participação, grupo político do qual o presidente, vejam só, é integrante. Sim, Casares foi abandono pelo próprio ‘partido’.
Com a debandada, a coalizão passa a contar apenas com Movimento São Paulo (MSP) e Força Tricolor, além do apoio simbólico do grupo “Super”, formado por José Eduardo Mesquita Pimenta, Ives Gandra Martins, Paulo Amaral Vasconcelos e Armando Souza Pinheiro.
Internamente, a ruptura é vista como divisor de águas e reduz a margem de manobra do mandatário no Conselho. O bloco dissidente passa a ter peso decisivo não só na votação do impeachment, mas em qualquer rearranjo político de curto prazo.
Cada um dos grupos que deixaram a base possui trajetória relevante na política do clube.
A Legião Tricolor é coordenada por Carlos Belmonte Sobrinho, ex-diretor de futebol, que pediu demissão em novembro e já vinha sinalizando afastamento de Casares, em meio à intenção de disputar a presidência no final do ano.
O Vanguarda Tricolor tem como líder Marcelo Pupo, ex-presidente do Conselho Deliberativo, que votou contra o impeachment no Conselho Consultivo.
O Sempre Tricolor é comandado por Fernando Bracalle Ambrogi, o Chapecó, ex-diretor-adjunto de futebol, também demissionário em novembro. Já o Participação São-Paulina é liderado por Themístocles Almeida.
Paralelamente ao isolamento político, Casares tenta se defender das acusações que cercam seu mandato. Nos bastidores, tem assegurado a diferentes correntes que comprovará a origem lícita dos depósitos em dinheiro vivo em sua conta bancária, que estão sendo investigados pela polícia e foram revelados pela imprensa.
Na reunião de terça-feira (6) do Consultivo, que gerou um parecer contra seu afastamento, o cartola teria apresentado argumentos preparados por seus advogados, sustentando que nada ligaria os depósitos ao São Paulo nem comprovaria uma origem ilegal.
O presidente avalia que o debate extrapolou os fatos e ganhou contornos pessoais. A pressão se refletiu até em sua relação com a comunidade: anteontem, ele deixou um grupo de WhatsApp de sócios após provocações e ofensas. Ele também teria reunido mais de trezentas mensagens ofensivas de redes sociais, de olho em uma eventual ação judicial. Apesar do cenário desfavorável, Casares tem afirmado a pessoas próximas que não renunciará.
Em uma atitude ainda mais desesperada, Casares emitiu carta aos conselheiros do clube na noite de sexta-feira (9),em que apela ao bom senso, reitera que ainda não foi formalmente acusado de nada.










