De volta à presidência do Conselho, Olten desconversa sobre 171 multas de carro pagas pelo clube: “Não fui notificado”

Olten Ayres posa dentro do Morumbi (Reprodução)

O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres de Abreu Junior, está de volta ao cargo, mas teve 171 multas, além de conserto de um Volvo cedido a ele pelo clube, pagas pelo São Paulo e pela empresa automotiva, em valores que chegaram a quase R$ 108,5 mil em custos.

O novo escândalo veio em meio a votação que ocorreu neste início de semana no clube para analisar pedido de afastamento preventivo do dirigente tricolor por 120 dias, por processo disciplinar interno. E adivinha? Ele foi negado. Por 120 votos a 118, Olten Ayres continua à frente da presidência do Conselho Deliberativo do Tricolor após o pedido ser reprovado nesta terça-feira (2).

A votação teve inicio às 22h (de Brasília) de segunda (1) e se encerrou às 17h (de Brasília) desta terça. Olten decidiu se afastar do cargo por decisão própria até a votação, e agora retorna ao cargo.

No dia 7 de maio, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar uma suspeita de falsidade ideológica de Olten em parecer do Conselho Consultivo. Na Comissão de Ética do São Paulo, Olten é julgado em um processo que pode recomendar sua expulsão do quadro associativo. Anteriormente, ele chegou a destituir toda a Comissão de Ética e nomear novos integrantes, em ato que foi anulado por João Farias, vice-presidente do Conselho.

QUANTA MULTA!

Segundo informou a ESPN nesta segunda, o prejuízo arcado pelo São Paulo das multas de trânsito foi de R$ 85.360,14, além de mais R$ 23.116,80 destinados a reparos de funilaria e pintura em para-choque, porta dianteira direita e lateral direita do carro utilizado por Olten Ayres.

De acordo com o site, as multas são do período entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2023 (25 meses) e variaram entre média e grave (a maioria delas por velocidade acima do limite permitido e por estacionamento em local proibido).

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O valor alto das infrações se deve a não indicação de condutor do veículo após a chegada da notificação. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CBT), quando uma multa é cometida em um veículo com registro feito em CNPJ, a empresa é obrigada a indicar quem estava dirigindo o automóvel.

Em momento nenhum eu fui notificado de qualquer infração. Pelo contrato, no caso de ocorrência de multa, deveria haver a identificação do condutor, e isso não me foi apresentado em nenhuma ocasião. Sem essa comunicação formal, não há como imputar qualquer responsabilidade individual”, se defendeu Olten Ayres em declarações ao portal UOL.

Assim, aconteceu a chamada ‘multa NIC (Não Indicação de Condutor)’, que faz com que o valor seja multiplicado pelo número de vezes que a mesma infração foi cometida no período de 12 meses, em penalidade extra imposta pela omissão de informação.

O contrato do São Paulo com a Volvo Car Brasil foi firmado em 2021 ainda sob a antiga gestão do impichado Julio Casares, e previa a cessão de automóveis a diretores e conselheiros do clube.

O escândalo apareceu em meio a votação que poderia afastar o dirigente tricolor por 120 dias, por processo disciplinar interno. E Olten atacou a ‘coincidência’.

Me chama atenção uma coincidência que vem se repetindo de forma muito clara. Sempre que existe uma votação importante ou um momento decisivo do Conselho, surge, na véspera, uma publicação tentando lançar dúvidas sobre a minha imagem, com versões parciais ou interpretações descontextualizadas. Isso não pode ser tratado como algo isolado, precisa ser observado com serenidade”, disse.

“Minha atuação sempre esteve limitada às atribuições da Presidência do Conselho Deliberativo e voltada ao interesse institucional do clube. Não houve qualquer conduta irregular da minha parte. Existe uma preocupação legítima sobre a preservação do próprio Conselho Deliberativo. Uma medida dessa gravidade não afeta apenas uma pessoa, mas cria precedentes institucionais importantes e precisa ser tratada com cautela”.

“Se tivesse sido informado sobre qualquer multa, naturalmente teria feito o pagamento ou adotado as medidas cabíveis. Não houve essa comunicação em nenhum momento”, se justificou Ayres de Abreu.

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