O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou, em votação encerrada nesta terça-feira (14), a expulsão definitiva de Antonio Donizeti Gonçalves, conhecido como Dedé, do quadro associativo da instituição.
O ex-diretor social e conselheiro vitalício é alvo de investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo que apuram supostas irregularidades em contratos com a empresa FGoal, antiga concessionária de alimentação e bebidas no estádio do Morumbi.
A decisão do órgão, que contou com 192 votos favoráveis, representa uma punição mais severa do que a sugerida inicialmente pela Comissão de Ética do clube. O parecer prévio recomendava uma suspensão de 120 dias — baseada em um gancho de 90 dias por danos à imagem institucional, acrescido de um terço pelo fato de o acusado integrar a diretoria executiva à época dos fatos.
Contudo, o plenário do Conselho optou pela pena máxima de expulsão, fundamentada na gravidade dos indícios de gestão temerária, prejuízo financeiro e desgaste à imagem do clube.
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Origem das investigações e rescisão contratual
O inquérito policial e a apuração do Ministério Público debruçam-se sobre a execução do contrato entre o São Paulo e a FGoal, que detinha a concessão para operar o setor de alimentos e bebidas em dias de jogos e eventos.
Irregularidades financeiras: O clube aponta que a FGoal realizou transações financeiras consideradas irregulares por meio do sistema de pagamentos de cartões operado na sede social.
Ruptura de vínculo: Diante das inconsistências apuradas internamente, o São Paulo efetuou a rescisão unilateral do contrato com a FGoal em fevereiro deste ano. O vínculo, que expiraria originalmente em 2029, foi desfeito, e a empresa GSH foi contratada para assumir o serviço.
Defesa da concessionária e posicionamento do ex-diretor
A FGoal contesta as acusações de fraude e sustenta que todas as suas movimentações financeiras e operacionais contavam com o aval formal da administração do departamento social. Em peça jurídica anexada a uma das ações movidas contra o São Paulo, a empresa apresentou uma carta subscrita por Antonio Donizeti Gonçalves.
No documento, o ex-dirigente declara ter autorizado verbalmente, em conjunto com membros da diretoria financeira da época, a implantação da infraestrutura da FGoal na sede social. Segundo a defesa apresentada:
A FGoal teria assumido custos de transição e instalação estimados em R$ 395 mil;
O ressarcimento desses custos seria realizado mediante abatimento direto nas movimentações da plataforma de pagamentos do clube;
O departamento financeiro do São Paulo possuía acesso irrestrito aos relatórios de conciliação e ao fluxo de caixa, cujo destino principal era o adimplemento de fornecedores.
Próximos passos e cooperação jurídica
O São Paulo manifestou que segue colaborando ativamente com as autoridades policiais e com o Ministério Público na condição de parte interessada e potencial vítima de prejuízo patrimonial.
A deliberação do Conselho Deliberativo esgota a esfera administrativa do clube e cessa o vínculo de Antonio Donizeti Gonçalves com a instituição, de forma independente ao andamento e ao desfecho das ações cíveis e do inquérito criminal na Justiça comum.










