Massis perde a primeira como presidente, vê balanço ser reprovado e São Paulo vive nova crise política

Harry Massis durante reunião na Federação Paulista de Futebol (Rodrigo Corsi/Agência Paulistão)

Harry Massis fez história. Se tornou o primeiro presidente da história do São Paulo a ter um balanço financeiro reprovado pelo Conselho Deliberativo.

O órgão rejeitou os números referentes a 2025 apresentados pelo mandatário com o encerramento da votação no fim da tarde desta quinta-feira (26).

Ao todo, 194 conselheiros votaram pela recusa, 34 a favor e quatro se abstiveram.

Verdade seja dita, é óbvio que o balanço se refere unicamente à gestão do antecessor de Massis, Julio Casares. E essa talvez tenha sido a pá de cal para a rejeição.

Iniciada na última quarta-feira (25), a votação do balanço de 2025 no São Paulo extrapolou a análise contábil e passou a ser tratada como uma decisão com possíveis efeitos institucionais e financeiros.

A gestão de Harry Massis Júnior atuou pela aprovação das contas da administração anterior, comandada por Julio Casares, que renunciou ao cargo após ser afastado em janeiro.

A articulação incluiu conversas intensas no Conselho Deliberativo, em meio a um ambiente politicamente tensionado.

À luz de novos fatos tornados públicos, como o sumiço de aproximadamente R$ 7 milhões dos cofres do clube, supostamente destinados a Casares e que cujos gastos não foram justificados, a pressão aumentou para a rejeição do balanço, inclusive por parte de desafetos do atual mandatário, como o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu.

Segundo o portal ‘UOL‘, Olten bateu boca com Massis na última quarta e recomendou a aliados políticos que votem contra as contas, apesar delas terem sido fechadas por Casares, seu mais fiel escudeiro.

O cenário é preocupante para Massis, isso porque o otimismo da tarde de quarta não existe mais diante da mobilizaçãoque se cresceu para rejeitar as contas. Se confirmado o prognóstico, será a primeira vez na história que o Conselho tricolor reprova as contas apresentadas pelo presidente em exercício.

Do lado da situação, o principal argumento é de mercado: a rejeição poderia afetar a imagem institucional do clube, impactar seu rating de crédito e encarecer operações financeiras, como empréstimos para capital de giro ou captação de recursos.

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Em um cenário já pressionado, qualquer sinal negativo poderia aumentar o custo do dinheiro e restringir ainda mais o acesso a crédito.

Questionado, o clube limitou-se a afirmar que “sempre procura as melhores opções do mercado para suas operações financeiras”.

A oposição, por sua vez, trabalha com leitura distinta. Parte dos conselheiros entende que a reprovação teria efeito prático limitado nesse campo, já que o clube enfrenta dificuldades históricas de financiamento e já opera com juros elevados.

Na avaliação desses interlocutores, os grandes bancos não têm o São Paulo como tomador prioritário por razões que vão além da aprovação formal de um balanço financeiro.

Além disso, a decisão do Conselho Deliberativo não certifica a correção dos números, até porque a grande maioria dos conselheiros não tem experiência para isso. Esse papel pertence ao Conselho Fiscal, que já deu sua avaliação: “Não obstante os relatórios apresentados não evidenciem irregularidades contábeis formais, subsistem preocupações relevantes quanto à execução orçamentária das despesas, que se verificou em desconformidade com os limites e parâmetros estabelecidos no orçamento aprovado.”

Nesse contexto, há quem veja, inclusive, potencial efeito positivo de uma rejeição nas circunstâncias atuais, como sinalização de um maior rigor interno. A leitura é de que o mercado poderia interpretar o movimento como indicativo de controle e cobrança, e não necessariamente como fragilidade adicional.

Também não há risco imediato de perda de benefícios fiscais, hipótese que só se configuraria em caso de reconhecimento formal de gestão temerária.

OS NÚMEROS DO BALANÇO

O São Paulo apresentou ao Conselho Deliberativo um balanço de 2025 que, à primeira vista, chama atenção pelos números absolutos: receita recorde de R$ 1,085 bilhão (alta de 47%) e retorno ao superávit, de R$ 56,9 milhões, após seu maior déficit da história, em 2024.

Há, de fato, melhora relevante em indicadores operacionais, como o EBITDA positivo de R$ 246,1 milhões, e a redução da dívida líquida para R$ 858,2 milhões, cerca de R$ 110 milhões a menos que no ano anterior.

Também há avanço na exploração do Morumbi, cuja receita cresceu 61,8%, sinalizando evolução na gestão do patrimônio.

Mas o retrato está longe de ser tão simples, e é justamente aí que se sustenta a resistência interna à aprovação das contas. O principal ponto de atenção está na composição dessa receita recorde. Do total de R$ 835,9 milhões gerados pelo futebol (77% do bolo), R$ 283,8 milhões vieram de negociações de atletas, quase o dobro do previsto inicialmente.

Trata-se, por definição, de uma receita não-recorrente e altamente volátil. Sem esse desempenho fora da curva no mercado, o resultado final não seria positivo, e o clube permaneceria no vermelho.

Do outro lado da equação, as despesas também cresceram de forma significativa. O total realizado em 2025 foi de R$ 902,8 milhões, um aumento de quase R$ 174 milhões, que corresponde a 23,8% a mais.

Embora esse percentual de crescimento seja menor que o da receita, o dado central é outro: o futebol profissional estourou o orçamento em R$ 156,6 milhões, puxados principalmente por folha salarial, encargos e amortizações de contratos. Ou seja, a principal área do clube seguiu operando acima dos limites estabelecidos, dependendo de receitas extraordinárias para fechar a conta.

A margem de contribuição total foi positiva e acima do previsto, o que ajuda a explicar o superávit, mas não elimina a preocupação estrutural. Há melhora operacional e sinais de avanço na gestão, especialmente fora das quatro linhas, mas o modelo ainda se mostra dependente de vendas de jogadores em patamar elevado para se sustentar.

Em resumo, o balanço combina progresso real com fragilidades importantes justamente nos principais números, tanto em termos de montante como de importância.

Os números permitem leitura otimista, mas também justificam cautela, especialmente quando o resultado final depende tanto de variáveis difíceis de repetir ano após ano, algo que o atual presidente Harry Massis Júnior já disse estar tentando mudar.

Apesar do resultado considerado satisfatório, a tendência é que o Conselho reprove os números. À luz de novos fatos tornados públicos, como o sumiço de aproximadamente R$ 7 milhões dos cofres do clube, supostamente destinados a Casares e que cujos gastos não foram justificados, a pressão aumentou para a rejeição do balanço, inclusive por parte de desafetos do atual mandatário, como o presidente do órgão, Olten Ayres de Abreu.

A decisão do Conselho Deliberativo não certifica a correção dos números, até porque a grande maioria dos conselheiros não tem experiência para isso. Esse papel pertence ao Conselho Fiscal, que já deu sua avaliação: “Não obstante os relatórios apresentados não evidenciem irregularidades contábeis formais, subsistem preocupações relevantes quanto à execução orçamentária das despesas, que se verificou em desconformidade com os limites e parâmetros estabelecidos no orçamento aprovado.”

Nesse contexto, há quem veja, inclusive, potencial efeito positivo de uma rejeição nas circunstâncias atuais, como sinalização de um maior rigor interno. A leitura é de que o mercado poderia interpretar o movimento como indicativo de controle e cobrança, e não necessariamente como fragilidade adicional.

Também não há risco imediato de perda de benefícios fiscais, hipótese que só se configuraria em caso de reconhecimento formal de gestão temerária.

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