Perícia dá razão a ex-zagueiro e São Paulo pode se complicar na Justiça em processo

Ruan durante partida pelo São Paulo em 2024 (Buda Mendes/Getty Images)

O laudo da perícia judicial no processo movido pelo zagueiro Ruan Tressoldi contra o São Paulo concluiu que a sequência de partidas disputadas pelo atleta contribuiu para o agravamento de uma lesão no joelho direito.

Hoje atuando pelo Atlético-MG, o jogador acusa o clube paulista de negligência médica durante sua passagem pelo Morumbi, entre janeiro e junho de 2025, e pleiteia R$ 14 milhões na Justiça do Trabalho em razão de valores em atraso e indenizações.

A informação foi divulgada inicialmente pelo portal ‘UOL‘.

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Na ação, a defesa de Tressoldi sustenta que o São Paulo deixou de contratar o seguro obrigatório contra acidentes de trabalho, escalou o atleta com dores e exames com alterações, utilizou método de tratamento classificado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) como experimental e adiou uma intervenção cirúrgica necessária, além de atrasar o pagamento de direitos de imagem.

Segundo o perito Adalberto Soares, autor do parecer, há nexo causal “concomitante moderado” entre a sobrecarga física imposta ao defensor e a ruptura do menisco lateral, diagnosticada em maio de 2025. O documento assinala que a exigência física agiu sobre uma estrutura tecidual preexistente e fragilizada, atuando como fator de aceleração e agravamento da lesão.

Maratona de jogos e contestação da perícia

O ponto central da análise pericial destaca uma sequência de quatro partidas integrais disputadas pelo atleta em um intervalo de 12 dias, entre 29 de abril e 11 de maio de 2025.

Com base em dados de GPS fornecidos pelo próprio clube, o perito apontou que a ausência de rodízio e a falta de gestão de carga foram determinantes para o agravamento do quadro clinico. O laudo também registrou que o Tricolor não apresentou a Avaliação Ergonômica Preliminar nem o Programa de Gerenciamento de Riscos, exigidos pelas normas de segurança do trabalho.

Por outro lado, a perícia atestou que a capacidade laboral do atleta está totalmente preservada, sem sequelas funcionais ou danos estéticos. Após submeter-se a uma artroscopia em 8 de julho de 2025, Tressoldi retornou aos gramados em 8 de outubro do mesmo ano pelo Atlético-MG, onde atua normalmente.

O São Paulo impugnou a perícia e solicitou a anulação do laudo ao juízo, argumentando que a avaliação deveria ser conduzida por um médico especializado, e não por um fisioterapeuta. Em sua defesa, o clube alegou que o atleta suportou cargas superiores durante a pré-temporada de janeiro sem apresentar lesões, além de ter reduzido a intensidade dos treinamentos no período crítico. O perito, no entanto, manteve a conclusão, argumentando que as exigências do período de preparação diferem do desgaste de jogos oficiais consecutivos.

A defesa de Ruan Tressoldi também questionou o laudo técnico, contestando especificamente a ausência de sequelas e de danos estéticos apontada pelo especialista. O processo aguarda julgamento em primeira instância, previsto para a próxima semana.

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