Rui Costa quebra o silêncio após demissão do São Paulo e fala sobre saída de Crespo: “Não foi uma decisão isolada”

Rui Costa nos tempos de Tricolor (Rubens Chiri/SPFC)

O ex-executivo de futebol Rui Costa quebrou o silêncio e fez um balanço dos cinco anos em que esteve à frente do departamento de futebol do São Paulo.

Em entrevista ao portal ‘Globo Esporte‘ ele avaliou o agitado cenário do clube na temporada de 2026, a intensa pressão da torcida na reta final de sua passagem, analisou a situação financeira encontrada ao assumir o cargo e reconheceu que a demissão do técnico Hernán Crespo poderia ter sido conduzida de maneira distinta.

Contratado em janeiro de 2021 pelo ex-presidente Julio Casares — que renunciou ao mandato no início deste ano —, Rui Costa permaneceu na função sob a gestão do sucessor Harry Massis até ser desligado em junho passado. A trajetória de cinco anos representou o trabalho mais longo de sua carreira profissional, período no qual o clube acumulou três títulos e disputou cinco finais.

LEIA MAIS:
>>> Árbitro relata cobranças e xingamentos de Rafinha nos vestiários em súmula
>>> RAFINHA PERDE AS ESTRIBEIRAS E COBRA ÁRBITRO NOS VESTIÁRIOS APÓS DERROTA DO SÃO PAULO
>>> “Estamos envergonhados, uma sensação horrível. É calar a boca e trabalhar”, lamenta abatido Calleri
>>> Dorival diz que “bola parada é o que mais treina” e enxerga pontos positivos do São Paulo contra o Grêmio
>>> Quase às lágrimas, Marcos Antonio faz apelo ao torcedor do São Paulo após nova derrota: “Estamos dando a vida!”
>>> LUCIANO SAIU DE CAMPO PISTOLA POR PÊNALTI NÃO MARCADO NO FINAL DO JOGO E DESABAFOU

Controvérsia na Troca de Comandos e Apadrinhamento de Decisões

A substituição de Hernán Crespo por Roger Machado, que permaneceu no cargo por menos de dois meses, tornou o executivo o principal alvo dos protestos das arquibancadas. Ao reavaliar o processo, o dirigente admitiu falhas na condução e na comunicação da saída do treinador argentino.

“O que eu reconheci anteriormente, e continuo reconhecendo, é que a condução daquele processo talvez pudesse ter sido em outro momento. A forma como uma decisão é comunicada também faz parte da gestão, e isso serve como aprendizado para qualquer profissional”, afirmou Rui Costa.

Apesar da autocritica em relação ao timing, o dirigente enfatizou que o desligamento não partiu de uma decisão isolada ou impulsiva, mas de um diagnóstico corporativo amplo.

“A decisão foi construída a partir de uma série de avaliações internas e não de um fato isolado. As escolhas em um departamento de futebol nunca são tomadas olhando apenas para um jogo ou um resultado específico. Envolvem desempenho, ambiente, perspectivas e aquilo que a gestão entende ser o melhor caminho para a sequência da temporada”, sustentou.

O Desafio da Pressão e a Blindagem do Elenco

As cobranças intensas na fase final de sua gestão foram tratadas por Rui Costa como um elemento inerente ao cotidiano das grandes instituições do futebol brasileiro. Segundo ele, o papel do gestor exige distanciamento emocional e serenidade em momentos de crise.

“É impossível dizer que a pressão não chega, mas faz parte da rotina de qualquer clube grande. O papel do executivo de futebol é estar preparado para blindar o elenco e controlar situações de crise. A pressão faz parte do cargo e precisa ser administrada com serenidade, porque o planejamento de um clube não pode mudar a cada resultado ou a cada semana”, avaliou.

O ex-executivo são-paulino acrescentou que ceder ao clamor externo compromete a governança do futebol.

“O que não pode acontecer é permitir que essa pressão determine as decisões. O executivo precisa ter equilíbrio para separar emoção de gestão e muitas vezes você precisa tomar decisões que sabe que serão impopulares naquele momento, mas que acredita serem as mais corretas para o projeto. Essa talvez seja uma das partes mais difíceis da função”, completou.

Reconstrução Financeira e Próximos Passos

Ao recordar sua chegada ao Morumbi em 2021, Rui Costa ressaltou a gravidade do cenário orçamentário que encontrou e o esforço de reestruturação implementado ao longo de sua permanência.

“Encontrei uma instituição vivendo um momento delicado sob diversos aspectos, principalmente financeiros, e participei de um processo de reconstrução que exigiu planejamento, disciplina e muitas escolhas difíceis. Naturalmente, algumas deram o resultado esperado, outras não, porque o futebol tem variáveis que fogem ao controle, mas saio com a consciência tranquila”, ponderou.

Atualmente instalado em Porto Alegre (RS) ao lado da família, o profissional estuda o mercado antes de definir o próximo destino de sua carreira. Com passagens por Grêmio, Chapecoense, Athletico e Atlético-MG, Rui Costa projeta um retorno focado na integração estratégica entre futebol e negócios.

“Este período tem sido importante para refletir sobre tudo o que vivi. Cada vez mais, o executivo de futebol tem responsabilidade direta para manutenção da saúde financeira do clube, com a necessidade de integração do departamento de futebol com o marketing, financeiro e novos negócios. Sigo motivado para trabalhar no Brasil, mas aprendi que é importante escolher o projeto certo”, concluiu.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *