Depois da renúncia de Julio Casares e a dissolução do grupo de poder que esteve mandando no São Paulo nos últimos anos, o caminho está aberto para o surgimento de novas lideranças políticas visando a disputa no final do ano que elegerá o sucessor de Harry Massis Filho. E, conforme o AVANTE MEU TRICOLOR apurou, uma aliança promete sacudir as estruturas.
Virtual candidato ao pleito e hoje o principal favorito a se tornar presidente, o ex-diretor de futebol Vinícius Pinotti quer contar com Diego Fernandes em sua base de apoio. Sim, o ‘playboy investidor’, que diz ter capacidade de angariar R$ 1 bilhão em investimentos para o clube do Morumbi.
Seria a união de dois nomes que criam extrema esperança na torcida, mais pelos motivos financeiros que propriamente por serviços prestados. Pinotti, tal como Fernandes, é conhecido pela excelente condição de suas contas bancárias. Ganhou notoriedade na gestão Carlos Augusto Barros e Filho, o Leco, quando comprou com seu dinheiro para o Tricolor o meia-atacante argentino Centurión. Depois, assumiu de fato de departamento de futebol.
Desde que deixou os holofotes, Pinotti continuou trabalhando nos bastidores. Apoia financeiramente torcidas organizadas e equipes de esportes amadores do social do clube. Desafeto declarado de Casares, causou surpresa quando se aliou ao ex-presidente. Mas foi apontado como um dos articuladores do impeachment, estando por trás da compra do áudio em que um camarote é negociado ilegalmente para um show no Morumbi. Foi um dos primeiros conselheiros a declarar publicamente voto pela destituição do ex-mandatário.
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Pinotti, que se coloca internamente como candidato à presidência, mas evita declarações públicas sobre o assunto, entendeu o apelo de Fernandes junto à torcida e o quer por perto, segundo fontes consultadas pela reportagem. Principalmente depois que o investidor anunciou a entrada na vida política do Tricolor.
Tão logo o impeachment de Casares foi aprovado no Conselho Deliberativo, Fernandes usou suas redes sociais para anunciar que estava se tornando sócio e iria ter participação política mais atuante.
“O São Paulo vive um momento decisivo. Além de discutir responsabilidades, é hora de discutir renovação. Novos conselheiros. Novas ideias. Gente com energia, preparo e vontade real de mudar o jogo. O clube precisa de gente preparada, conectada com o presente e disposta a construir o futuro. Gratidão a quem ajudou a construir a história. Agora é tempo de abrir espaço para quem quer fazer acontecer. Como torcedor, entendi que opinião sem participação é limitada. Por isso, iniciei meu processo para me tornar sócio e contribuir de forma responsável com o clube”, escreveu.
Para bom entendedor, meia palavra basta. Fernandes se tocou que não conseguiria ‘furar a fila’. Ou seja, ter algum tipo de poder dentro do São Paulo sem passar pelos ritos políticos tradicionais. Já tinha se tocado em dezembro, quando foi ignorado por aliados de Casares e só conseguiu uma reunião de conselheiros no Paulistano após articulação de gente mais interessada em ‘limpar a barra’ da crise institucional já vivida do que propriamente tê-lo por perto.
Sem muita esperança de uma mudança no cenário sendo um outsider, Fernandes anunciou no dia 16 daquele mês o tal ‘São Paulo Day’, chamado assim pelo próprio empresário, que na verdade se trata de um painel de discussão para “resgatar a gestão, governança e principalmente a credibilidade do clube”.
O projeto com o envolvimento de empresários e empresas de dentro de fora do Brasil que mira investimentos no clube do Morumbi.
“O São Paulo sempre foi um clube que se antecipou ao futuro. Quando a história nos mostra sinais de alerta, ficar em silêncio não é opção”, disse.
Mas vamos a algo mais concreto. Pelo menos há uma data para a realização do tal evento, onde provavelmente alguns dos potenciais investidores serão revelados? Não, nada.
Mais do mesmo que ele já tinha falado em outras ocasiões…
“Não se trata de cargos, poder ou política interna. É sobre criar um espaço sério de reflexão para que o São Paulo volte a ser referência em gestão, governança e credibilidade”, apontou.
A ‘ESPN‘ trouxe informações muito mais contundentes sobre Fernandes. Revelou, por exemplo, os bastidores de sua atuação para tornar o italiano Carlo Ancelotti o técnico da Seleção Brasileira. Ele foi peça-chave na contratação, mas nunca recebeu a pactuada comissão equivalente a R$ 7,7 milhões pelo negócio.
É que Fernandes não tinha a licença exigida pela Fifa para atuar como agente, o que motivou, inclusive, questionamentos da entidade máxima do futebol à CBF. A contratação foi feita ainda na gestão de Ednaldo Rodrigues, mas foi revista pelo atual presidente Samir Xaud.










