O São Paulo apresentou ao Conselho Deliberativo um balanço de 2025 que, à primeira vista, chama atenção pelos números absolutos: receita recorde de R$ 1,085 bilhão (alta de 47%) e retorno ao superávit, de R$ 56,9 milhões, após seu maior déficit da história, em 2024.
Há, de fato, melhora relevante em indicadores operacionais, como o EBITDA positivo de R$ 246,1 milhões, e a redução da dívida líquida para R$ 858,2 milhões, cerca de R$ 110 milhões a menos que no ano anterior.
Também há avanço na exploração do Morumbi, cuja receita cresceu 61,8%, sinalizando evolução na gestão do patrimônio.
Mas o retrato está longe de ser tão simples, e é justamente aí que se sustenta a resistência interna à aprovação das contas. O principal ponto de atenção está na composição dessa receita recorde. Do total de R$ 835,9 milhões gerados pelo futebol (77% do bolo), R$ 283,8 milhões vieram de negociações de atletas, quase o dobro do previsto inicialmente.
Trata-se, por definição, de uma receita não-recorrente e altamente volátil. Sem esse desempenho fora da curva no mercado, o resultado final não seria positivo, e o clube permaneceria no vermelho.
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Do outro lado da equação, as despesas também cresceram de forma significativa. O total realizado em 2025 foi de R$ 902,8 milhões, um aumento de quase R$ 174 milhões, que corresponde a 23,8% a mais.
Embora esse percentual de crescimento seja menor que o da receita, o dado central é outro: o futebol profissional estourou o orçamento em R$ 156,6 milhões, puxados principalmente por folha salarial, encargos e amortizações de contratos. Ou seja, a principal área do clube seguiu operando acima dos limites estabelecidos, dependendo de receitas extraordinárias para fechar a conta.
A margem de contribuição total foi positiva e acima do previsto, o que ajuda a explicar o superávit, mas não elimina a preocupação estrutural. Há melhora operacional e sinais de avanço na gestão, especialmente fora das quatro linhas, mas o modelo ainda se mostra dependente de vendas de jogadores em patamar elevado para se sustentar.
Em resumo, o balanço combina progresso real com fragilidades importantes justamente nos principais números, tanto em termos de montante como de importância.
Os números permitem leitura otimista, mas também justificam cautela, especialmente quando o resultado final depende tanto de variáveis difíceis de repetir ano após ano, algo que o atual presidente Harry Massis Júnior já disse estar tentando mudar.
Apesar do resultado considerado satisfatório, a tendência é que o Conselho reprove os números. À luz de novos fatos tornados públicos, como o sumiço de aproximadamente R$ 7 milhões dos cofres do clube, supostamente destinados a Casares e que cujos gastos não foram justificados, a pressão aumentou para a rejeição do balanço, inclusive por parte de desafetos do atual mandatário, como o presidente do órgão, Olten Ayres de Abreu.
A decisão do Conselho Deliberativo não certifica a correção dos números, até porque a grande maioria dos conselheiros não tem experiência para isso. Esse papel pertence ao Conselho Fiscal, que já deu sua avaliação: “Não obstante os relatórios apresentados não evidenciem irregularidades contábeis formais, subsistem preocupações relevantes quanto à execução orçamentária das despesas, que se verificou em desconformidade com os limites e parâmetros estabelecidos no orçamento aprovado.”
Nesse contexto, há quem veja, inclusive, potencial efeito positivo de uma rejeição nas circunstâncias atuais, como sinalização de um maior rigor interno. A leitura é de que o mercado poderia interpretar o movimento como indicativo de controle e cobrança, e não necessariamente como fragilidade adicional.
Também não há risco imediato de perda de benefícios fiscais, hipótese que só se configuraria em caso de reconhecimento formal de gestão temerária.










