A oposição do São Paulo reavalia a composição da chapa que disputará as eleições presidenciais do clube no fim deste ano. Diante da repercussão negativa causada por declarações de teor elitista e preconceituoso do conselheiro Carlos Sadi, o bloco estuda retirar seu nome da indicação à vice-presidência na chapa encabeçada por Marcelinho Portugal Gouvêa. Conforme o AVANTE MEU TRICOLOR apurou, discussões e reuniões aconteceram durante toda esta sexta-feira (4) e há um consenso que o nome dele não tem mais condições de encabeçar uma disputa ao pleito.
Embora a indicação de Sadi não estivesse oficializada, o movimento acirrou os debates internos e gerou manifestações públicas de repúdio por parte do pré-candidato vindo desde seu principal aliado político, Olten Ayres de Abreu, presidente do Conselho Deliberativo e de grupos que compõem o bloco oposicionista, incluindo o seu próprio.
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Repúdio interno e reações políticas
As declarações causaram forte mal-estar e foram rebatidas por lideranças do clube:
Marcelinho Portugal Gouvêa (Candidato à Presidência): Repudiou o teor da entrevista, ressaltando que a chapa não foi lançada oficialmente. “Sadi é uma pessoa que respeito e que está ao nosso lado na defesa ao São Paulo, mas que foi infeliz em suas colocações. Discordo do conteúdo das falas. Em relação à candidatura, cabe lembrar que não houve definição final quanto aos nomes, tampouco lançamento oficial.”
Olten Ayres de Abreu (Presidente do Conselho Deliberativo): Integrante do grupo Força São Paulo, Olten frisou que a indicação de Sadi não havia sido avalizada pelo coletivo e rechaçou a postura elitista. “A tradição do São Paulo não pode ser usada para justificar elitismo ou desqualificar pessoas por sua condição social. Ninguém é menos são-paulino por morar em Itaquera, em Paraisópolis ou em qualquer outro lugar.”
Grupo Salve o Tricolor Paulista (STP): Em nota, o grupo oposicionista classificou as falas como “infelizes e politicamente incorretas”, afirmando que foram manifestadas de forma estritamente pessoal, mas informou que o conselheiro demonstrou arrependimento após conversas com os coordenadores.
As declarações de Carlos Sadi
As falas foram proferidas no último dia 26 de agosto, em entrevista ao vivo ao canal ‘São Paulo Digital‘. Ao criticar a atual estrutura política e o perfil de membros do clube, o conselheiro fez referências pejorativas a bairros e classes sociais:
“O São Paulo perdeu o glamour. ‘Ah, mas você é saudosista?’, não. (…) Se eu não tivesse glamour, eu ia torcer pro Corinthians e morar em Itaquera, me desculpa. Eu sou mesmo elitista (…). Agora, você botou o baixo clero pra trabalhar aqui dentro, velho. Desculpa, você casou com a mulher de Paraisópolis e a família inteira está morando com você, deu pra entender?”
Sadi também teceu críticas pejorativas à idade e ao comportamento de colegas de Conselho durante a votação da reforma estatutária, referindo-se a eles como “Matusaléns” e comparando-os a “caiçaras que trabalham pra mim no Guarujá”. Em outro momento, questionou a composição política do órgão:
“O que eles [situação] fizeram: vamos eleger sujeitos que escrevem exceção com X, outros gostam de dois pães com mortadela, e assim vai. Então você controla o Congresso a seu favor.”
Posição de Sadi e indefinções na chapa
Em sua defesa, Carlos Sadi reconheceu o erro na forma de expressão e alegou ter sido mal interpretado quanto ao objetivo de sua crítica:
“Foi um equívoco. Fui mal interpretado, o mundo mudou. Quis dizer que o pessoal que se apoderou do clube não teve a dimensão da história e do tamanho do clube, mas não soube me expressar. Caso superado.”
Apesar da retratação, a permanência de Sadi como nome para a vice-presidência está praticamente descartada. Os grupos de oposição devem alinhar nos próximos dias a definição sobre a indicação de um novo nome para compor a chapa ao lado de Marcelinho Portugal Gouvêa antes do anúncio oficial do pleito.
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