Dorival explica decisões, reclama da falta do Morumbi e diz entender frustração da torcida após empate

Dorival durante o clássico desta noite, na Vila Belmiro (Ricardo Moreira/Getty Images)

O técnico Dorival Júnior minimizou as vaias recebidas pela equipe do São Paulo após o empate sem gols diante do Corinthians na noite desta quarta-feira (4), na Vila Belmiro, em duelo válido pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro.

A insatisfação das arquibancadas decorreu do fato de o Tricolor ter jogado com a oportunidade de afundar o tradicional rival na zona de rebaixamento.

“A reação do torcedor não tenho que questionar, só agradecer o apoio ao longo dos 90 minutos. Para mim, é o que me marca. Porque dentro de campo, contamos com eles, nos carregaram em muitos momentos. Ao final da partida, não sendo o resultado que esperávamos, vaias virão, isso nos acompanha ao longo da vida. Temos que entender e agradecer o que o torcedor fez até então”, declarou o treinador são-paulino durante a coletiva de imprensa pós-jogo.

O clima tenso precedeu a rolar da bola. Antes mesmo do apito inicial, torcedores do São Paulo iniciaram provocações ao adversário nas imediações do estádio, ostentando faixas e adereços do “fantasma da Série B” em referência ao momento delicado do Corinthians.

Ao término do clássico, o descontentamento se refletiu nos gritos de “time pipoqueiro” vindos das arquibancadas.

“Todos nós buscamos o melhor resultado possível. A mobilização foi correta, todos nós nos mobilizamos para isso, fizemos de tudo para que isso acontecesse. Tivemos oportunidades, melhoramos e crescemos muito na segunda etapa. Faltou realmente o gol. O descontentamento vai acontecer sempre, é normal. Não acontecendo o resultado, temos que entender. Até porque o torcedor veio aqui e saiu frustrado em razão de não termos conquistado o resultado que gostaríamos”, argumentou Dorival.

Críticas à mudança de mando de campo

Outro ponto abordado pelo técnico foi a impossibilidade de mandar o Majestoso no Morumbi, onde o São Paulo ostenta cerca de 73% de aproveitamento na temporada. O estádio são-paulino não esteve disponível em razão da realização de uma série de shows da banda BTS, com cronograma de montagem de palco e manutenção do relvado inapropriados para o dia da partida.

“É totalmente diferente. Gostaria de estar jogando no Morumbi, é só pegarem o nosso aproveitamento no Morumbi. Esse aproveitamento acontece com a grande maioria das equipes da sexta colocação até a 14ª, por aí. A grande maioria se aproveita do fator casa, desde que você esteja no seu ambiente. Infelizmente, não tivemos o Morumbi em um momento muito importante, um jogo fundamental para todos nós. É uma pena”, lamentou o comandante tricolor.

Justificativa para a reserva de Calleri e estratégia tática

Dorival Júnior explicou a opção por iniciar o confronto sem Jonathan Calleri no time titular, promovendo o trio ofensivo formado por Artur, Luciano e Lucas. A escalação gerou surpresa devido ao protagonismo do atacante argentino, mas o treinador justificou que o objetivo inicial era dar mais mobilidade ao setor ofensivo e retirar referências dos zagueiros corintianos.

“A ideia era termos mobilidade na frente, não darmos referência aos zagueiros do Corinthians. No momento que estávamos fazendo a preleção, definida a formação, trouxe a dúvida até momentos antes da saída do hotel. Naquele instante, começou um dilúvio, já tínhamos definido o que faríamos. Não foi uma decisão errada, ao contrário. Se tivéssemos um campo dentro de uma normalidade, sem aquela chuva, talvez tivéssemos mais sucesso com essa formação”, analisou.

“Era flutuar entre as linhas para caminhar com bola até o gol. Essa movimentação foi muito bem desenvolvida e executada nos treinos da semana. Não esperávamos que tivesse acontecido o que aconteceu, a chuva deixou o campo muito pesado, e a partir do intervalo, tive que voltar à situação que é normal na nossa formação, com um homem mais fixo entre os homens de defesa do Corinthians”, acrescentou.

Questionado se teria se arrependido de manter a escolha após ver a forte chuva sobre Santos, Dorival reiterou a convicção do plano trabalhado durante os treinamentos.

“Não (me arrependo), porque já tinha definido. Você não pode voltar atrás assim depois de uma preleção, tudo desenvolvido, trabalhado. Fizemos todos os testes possíveis ao longo da semana. Não me arrependo disso, e não foi por isso que fomos inferiores ao Corinthians na primeira etapa. Não é a presença ou a falta de um atleta que vai desequilibrar um contexto. Para esse jogo, seria o ideal da maneira que entramos em campo, com maior mobilidade, liberdade de movimentos. O Corinthians estava muito bem posicionado, jogo pesado, truncado. Teve uma dificuldade muito grande dos dois lados, muito em razão do peso do gramado. Não vou ficar justificando resultado em cima do gramado, mas realmente estava muito pesado”, afirmou.

As chances desperdiçadas e manutenções na equipe

Em campo, o Tricolor construiu jogadas para sair vitorioso. As chances mais claras vieram no segundo tempo: primeiro com Luciano, que encobriu o goleiro Hugo Souza em uma cavadinha para fora, e mais tarde com Pedro Lima, que passou pelo goleiro e finalizou para o gol aberto, tendo a trajetória interrompida por um corte salvador de Angileri em cima da linha. Mesmo com a expulsão de Matheus Pereira no lado corintiano e a vantagem numérica, o treinador explicou a decisão de não sacar um dos zagueiros para encorpar o setor de ataque.

“Não (tirei um zagueiro), porque tínhamos a bola parada, e ela poderia ser um diferencial. Num campo pesado como esse, você tem que pensar nas possibilidades da sua equipe, e a bola parada seria uma delas. Adiantamos um pouco o Newton, o Tolói, retomamos todas as bolas na intermediária. Criamos boas oportunidades, não fomos felizes nas finalizações. Mas a equipe estava bem postada da maneira como estava, bem distribuída, tentando jogar por dentro, por fora. Teve oportunidades para fazer o gol, mas infelizmente não aconteceu”, comentou.

Com o paralisação do calendário nacional para a Data Fifa, o São Paulo de Dorival Júnior ganha um intervalo de preparação. A equipe volta a atuar somente no dia 19 de novembro (quinta-feira), às 21h30 (de Brasília), quando recebe o Fluminense no Morumbi pela 35ª rodada.

“Ainda podemos terminar melhores do que estamos nesse momento, cabe a nós buscarmos uma pontuação que nos dê a possibilidade de conquistarmos uma situação de uma vaga na Pré-Libertadores. Se acontecer, eu vou enaltecer muito o trabalho dessa garotada, porque merecem, por toda a entrega que tiveram”, concluiu Dorival.

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