As investigações sobre o esquema de exploração clandestina de camarotes no Morumbi ganharam novos contornos com a apreensão de um caderno na casa de Rita de Cássia Adriana Prado, uma das protagonistas do escândalo, considerado relevante pela Polícia Civil para o entendimento da trama.
A informação foi divulgada pelo portal ‘Globo Esporte‘ e o material foi localizado na quarta-feira (21) durante o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão relacionados ao caso.
Embora o conteúdo esteja sob sigilo, investigadores apontam que as anotações ajudariam a detalhar o funcionamento do esquema e indicam que ao menos um camarote do São Paulo era desviado de forma sistemática. A operação foi conduzida pela 3.ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Desmanches Delituosos (Dicca) e também teve como alvos Douglas Schwartzmann, ex-diretor-adjunto das categorias de base, e Mara Casares, ex-mulher do ex-presidente Júlio Casares e então diretora feminina, cultural e de eventos.
Adriana aparece em gravação obtida divulgada em dezembro, em que é citada como parte de um arranjo envolvendo Schwartzmann e Mara.
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De acordo com a apuração, o caderno apreendido traria mais elementos sobre a engrenagem que sustentava o esquema, que pode ter duração maior do que se supunha inicialmente. “Os documentos arrecadados autorizam visualizar a gravidade dos fatos e a extensão dos fatos, inclusive a abrangência temporal, muito mais tempo que se imaginava”, afirmou o promotor José Reinaldo Carneiro Guimarães, ressaltando que a investigação ainda não está concluída.
Na residência de Mara, a polícia ainda apreendeu R$ 28 mil em espécie e um computador, além de documentos considerados importantes para o avanço do inquérito. Por meio de nota, o São Paulo declarou que “é vítima neste caso e vai contribuir com as autoridades na investigação”.
Paralelamente, o jornal ‘O Estado de S. Paulo‘ apurou que os negócios envolvendo Adriana e Mara no clube aconteceriam ao menos desde 2023.
Atualmente licenciada da diretoria, Mara teria atuado em parceria com Adriana na intermediação da venda de espaços e ingressos para jogos e shows no Morumbi, além de outros eventos do São Paulo.
A defesa de Mara afirma que ela mantém colaboração irrestrita com as autoridades e que a lisura de seus atos será comprovada.
A linha do tempo traçada por polícia e Ministério Público indica que a atuação conjunta das duas não se limitou ao camarote 3A no show da cantora Shakira, citado no áudio divulgado em dezembro.
Fontes ouvidas pelo periódico relatam a presença de Adriana como intermediária ainda em 2022. A própria Adriana reúne trocas de mensagens e e-mails com diretores do clube e teria procurado opositores de Casares para negociar o material.
FUTURO SOMBRIO PARA O EX-PRESIDENTE
A renúncia de Júlio Casares à presidência do São Paulo ocorre no contexto de um conjunto de investigações conduzidas pela Polícia Civil desde o final do ano passado. O agora ex-presidente é alvo de apurações relacionadas a saques em dinheiro vivo realizados nas contas do clube e a movimentações financeiras consideradas atípicas pelos órgãos de controle. O inquérito está sob responsabilidade do delegado Tiago Fernando Correia, da 3.ª Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração e Combate à Lavagem de Dinheiro (Dicca).
O delegado afirma haver “consistentes indícios de que uma suposta associação criminosa estaria operacionalizando um sofisticado esquema de desvio de recursos e apropriação de valores”. A Polícia Civil conduz a investigação principal, enquanto o Ministério Público atua em duas frentes: uma voltada ao suposto esquema de desvio de verba e outra dedicada à apuração de gestão temerária, com foco na origem da dívida bilionária do São Paulo.
Os investigadores analisam 35 saques em dinheiro vivo realizados entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, que somam onze milhões de reais. Os bancos responsáveis pelas contas classificaram as operações como “atípicas e incompatíveis com a prática de mercado para uma entidade deste porte”, destacando a dificuldade de assegurar a destinação dos valores. Os 33 últimos saques ocorreram com apoio de empresa de carros-fortes, método que, segundo a polícia, dificulta o rastreamento do dinheiro.
Paralelamente, os investigadores identificaram depósitos em contas ligadas à família do dirigente. Entre janeiro de 2023 e maio de 2025, houve depósitos de R$ 1,5 milhão em espécie em conta conjunta de Júlio e Mara Casares, ex-esposa do cartola. Ele ocupava cargo de diretora feminina, de cultura e de eventos do clube e se licenciou após acusações relacionadas a um esquema de venda ilegal de ingressos de camarotes. O Coaf também cita depósitos em dinheiro na conta de Deborah de Melo Casares, filha dos dois. Em um dos casos, em 22 de novembro de 2024, Mara depositou R$ 49,5 mil em espécie, valor abaixo do limite de notificação automática.
Os relatórios apontam ainda aportes em dinheiro vivo feitos por Mara em conta de uma empresa de que Deborah é sócia. O ponto central da apuração é verificar se existe ligação entre os saques nas contas do São Paulo e os depósitos nas contas dos dirigentes. Casares afirma que os valores têm lastro e que as acusações se baseiam em “versões frágeis”.
* Com Alexandre Giesbrecht, do ANOTAÇÕES TRICOLORES










