O ex-presidente do São Paulo, Julio Casares, ausentou-se da audiência marcada para a última quinta-feira (30) na Comissão de Ética do Conselho Deliberativo. O colegiado apura suspeitas de gestão temerária e outras supostas irregularidades administrativas ocorridas durante o período em que o dirigente esteve à frente da instituição.
Antes do horário agendado para o depoimento, Casares renunciou ao posto de conselheiro vitalício e ao título de sócio. Paralelamente, os advogados Bruno Borragine, Daniel Bialski e André Bialski pleitearam o encerramento sumário do procedimento disciplinar.
A defesa fundamentou o pedido no artigo 5º, inciso XX, da Constituição Federal, que estabelece que “ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado”, argumentando que o desligamento voluntário retiraria a competência da comissão para julgar o ex-cartola.
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Rejeição da Tese Defensiva e Alegações de Cerceamento
Os relatores do processo indeferiram o requerimento e determinaram a continuidade das apurações. A comissão amparou-se no artigo 38 do Estatuto Social do clube, dispositivo que veda expressamente a aceitação de pedidos de demissão do quadro associativo enquanto o membro for alvo de procedimento administrativo disciplinar pendente de conclusão.
A defesa de Casares contestou a decisão e classificou o rito como um “processo de exceção”. O advogado Bruno Borragine alegou que o ex-presidente teve o direito de defesa cerceado devido à negativa de acesso a documentos internos que pretendia anexar aos autos.
Em contrapartida, a advogada da acusação, Amanda Nunes, declarou que foi assegurado ao investigado o amplo direito de manifestação, mas que o ex-mandatário optou pelo não comparecimento. Como as testemunhas arroladas justificaram ausência por motivos pessoais, a fase de instrução foi declarada encerrada.
Próximos Passos e Desdobramentos Criminais
Com a conclusão da etapa de oitivas, a comissão iniciará a confecção do parecer final no prazo de até cinco dias úteis, submetendo o parecer à apreciação do Conselho Deliberativo.
A tendência é de que o relatório recomende a expulsão formal de Casares do quadro social, somada à exigência de ressarcimento de montantes que o Conselho Fiscal apontar como utilizados sem vinculação com as atribuições da presidência.
Na esfera estatal, o ex-dirigente prossegue como alvo de inquéritos conduzidos pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, que apuram suspeitas de cessão clandestina de camarotes no Morumbi e realização de saques irregulares nas contas da agremiação.










