A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf) — órgão responsável pela fiscalização e aplicação do Fair Play Financeiro na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) — lançou em seu portal oficial um painel público de transparência financeira.
A plataforma consolida os dados de endividamento e inadimplência de todas as agremiações participantes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. E o São Paulo aparece como quarto maior endividado a curto prazo do futebol brasileiro.
O sistema compila os balanços patrimoniais encerrados em 31 de dezembro de 2025 e monitora as declarações periódicas de atrasos de pagamento apresentadas pelos clubes três vezes ao ano. De acordo com o levantamento consolidado na janela de fiscalização de julho deste ano, o passivo total somado dos clubes da Série A atinge a marca de R$ 17,34 bilhões, enquanto os integrantes da Série B acumulam débitos no montante de R$ 2,65 bilhões.
No fim de 2025, a dívida total do São Paulo, incluindo o que ainda não tinha vencido, era de R$ 917 milhões: a 11ª maior entre os 20 clubes da Série A. A curto prazo, que vencem em até 12 meses, ela era de R$ 573 mi, 63% do total, sendo a 4ª maior dos clubes do Brasileirão.
O ranking nacional posiciona o Atlético-MG como a instituição com a maior dívida bruta do país, registrando R$ 2,21 bilhões em passivos consolidados ao término do exercício, seguido por Corinthians (R$ 2,08 bi) e Botafogo (R$ 1,78 bi).
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Raio-X do São Paulo e panorama de inadimplência
O mapeamento geral da Anresf também detalha a composição das dívidas do Tricolor. Em 30 de junho deste ano, o clube declarou dívidas vencidas e não pagas com atletas e funcionários e com outros clubes (transferências de atletas). Os atrasos incluem dívidas anteriores a 2026, que estão no período de transição, e dívidas feitas a partir desta temporada, que já seguem as regras plenas do Regulamento.
Os dados autodeclarados até dezembro de 2025 revelam que o clube do Morumbi acumulava mais de R$ 370 milhões em pendências em atraso relativas a salários e encargos aos funcionários e direitos de imagem do elenco e comissão técnica.
O levantamento aponta que em salários e encargos, tributos e parcelamentos fiscais, o São Paulo devia R$ 306 milhões. Já em direitos de imagem aos seus jogadores, eram R$ 69 mi em aberto.
O maior valor em débito era com empréstimos, financiamentos, recuperação judicial e demais contas, totalizando R$ 336 milhões em dívidas. Ainda apareciam R$ 163 mi por transferências de atletas e R$ 23 mi em estimativa de perdas em ações judiciais.
A agência reguladora disponibilizou ainda um indicador específico para monitorar a pontualidade no pagamento de folha salarial, transferências internacionais e obrigações tributárias. Dos 20 clubes que disputam a divisão de elite, apenas seis comprovaram ausência total de débitos vencidos na data de corte de junho.
A próxima janela obrigatória para a prestação de contas e autodeclaração de regularidade financeira perante a Anresf está agendada para o dia 30 de novembro.









