Lucas Moura realizou nesta segunda-feira (4) cirurgia para correção de ruptura completa do tendão calcâneo da perna direita, sofrida na partida diante do Bahia pelo Brasileirão. O meia do São Paulo agora inicia um longo período de recuperação no clube.
Quem realizou o procedimento foi a equipe médica do experiente doutor Moisés Cohen, que relatou em entrevista à ESPN bastidores da cirurgia e palavras do jogador projetando um retorno ao Tricolor.
“Ele ontem (domingo) estava, todos nós estávamos muito tristes. Eu também estava assistindo ao jogo e a hora que eu vi, me preocupei, aí vim atender aqui no hospital a noite. Estava um clima de tristeza muito grande, ele obviamente desabafou, chorou e tal, e a gente também sofre muito com isso”, disse Cohen.
“Mas hoje (segunda), depois da cirurgia, me pareceu já um pouco mais consciente, um pouco mais convencido da situação e falando sim em voltar, final do ano voltar, ele falou, ‘eu quero voltar para a final’, eu falei, ‘muito bom, mas o São Paulo tem que ganhar muito jogo ainda para chegar na final’, brincando com ele”.
“Mas hoje está um clima normal, de um pós-operatório, ele é um atleta realmente de uma dedicação absurda, ele é muito, muito dedicado a todas essas coisas, nós tivemos experiência já com ele no joelho, costela e agora a questão do tornozelo, mas vamos botar fé que as coisas vão caminhar, porque ele realmente merece, mais do que qualquer atleta que se dedica muito, esse atleta é o Lucas”, seguiu o doutor, que estipulou ainda um tempo médio para a recuperação.
“O Lucas teve uma lesão no tendão calcâneo (da perna direita), com arrancamento junto do osso. Portanto, foi feita a cirurgia de reinserção deste tendão, com reforço que também fizemos. Objetivamente, em relação a tempo, estamos falando em torno de seis meses. Claro que varia de caso para caso, mas seis meses seria o timing para ele voltar aos treinos e, daí para frente, voltar a sua atividade normal”, explicou o especialista.
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OS MOTIVOS DA NOVA LESÃO
“Não foi por causa de trauma. Na verdade, essas lesões acontecem por duas situações. Ou porque cronicamente, ou seja, ao longo dos anos, o atleta, o que é muito comum, ele vai desenvolvendo na região posterior do calcâneo uma saliência óssea que indica processos inflamatórios sobre cargas frequentes, além do contato da chuteira”.
“Ao longo dos anos, ao longo do tempo, algumas situações vão predispor essa lesão. São as situações principalmente de arranque, onde geralmente a musculatura da panturrilha contrai de uma forma rápida e o tendão, que é a continuidade dessa musculatura que se prende no osso, não tem a mesma elasticidade que a musculatura”.
“É como se, então, ele contraísse e puxasse bruscamente esse tendão. Ou ele rompe no meio do ventre dele ou ele arranca. Essas lesões por arrancamento são geralmente relacionadas a essas explosões, esse movimento de explosão. E no caso, o Lucas ele tenta arrancar, tenta fazer o movimento e o músculo contrai e o tendão não acompanha”.
“Então, nisso ele é arrancado do osso, que já tinha uma predisposição ao longo da vida, ao longo dos anos, já tinha a formação dessa saliência, que é um nome relativamente comum, popular, que se chama haglund. Então, o haglund é essa saliência óssea, onde indica que existe uma sobrecarga naquela região, e o tendão, portanto, já tem alguma alteração”.
VOLTA A JOGAR?
“Olha, recentemente, em 2025, saiu uma publicação exatamente mostrando 16 jogadores com lesões de tendão calcâneo, submetidos a mesma técnica que nós usamos hoje. E todos voltaram a jogar, jogadores profissionais na Europa. E todos voltaram”.
“Agora, julgar rendimento, é uma coisa difícil, como é que você vai medir rendimento? Pelo número de gols que ele faz, tem um número de corridas que ele faz, é muito difícil. Mas a expectativa é positiva, nós temos vários outros atletas de alto rendimento também com lesões de tendão calcâneo, é muito comum jogador de vôlei, basquete, pelo salto, pelo arranque, e voltam a jogar. Agora, o nível, se é igual, se é menor, se é maior, é muito difícil”, concluiu Moisés Cohen.










