Novo gerente esportivo do São Paulo, Rafinha foi apresentado no CT da Barra Funda no início da tarde desta terça-feira (27) e concedeu sua primeira entrevista coletiva à imprensa, falando de polêmicas recentes no clube, além de projetar o futuro em seu novo cargo no clube de coração.
Um dos temas espinhosos que o ex-lateral teve que responder logo de cara foram as declarações de Crespo após a derrota para o Palmeiras no clássico do final de semana, quando o treinador argentino falou que a meta do Tricolor no Brasileirão é atingir os 45 pontos para não ser rebaixado de divisão. Rafinha colocou panos quentes.
“Foi uma declaração depois de um jogo, uma derrota no clássico. O Crespo tem o respaldo da diretoria, do presidente, do futebol. Naquele momento, fala com o coração. Às vezes não é o momento de responder do jeito certo. Claro que o São Paulo não entra para fazer 45 pontos. Já falei isso como jogador. Estávamos num momento ruim em 2023 e dei essa declaração”, iniciou o agora dirigente.
“Sabemos do nosso momento. Sem soberba nenhuma, respeitando o momento que o clube vive. Jamais o São Paulo vai entrar numa competição pensando em permanecer. O São Paulo é muito grande. Todo mundo sabe da grandeza, dessa camisa. Essa declaração foi pelo momento, a derrota no clássico, mas não é o pensamento do São Paulo. Nem do Crespo. Ele sabe a grandeza desse clube. Ele foi campeão aqui. No São Paulo temos que mirar o título”.
Rafinha falou também sobre o atraso de vencimentos para jogadores do elenco, entende não ser uma situação normal, mas decretou que isso não pode se tornar uma muleta para os atletas justificarem suas derrotas dentro de campo.
“Hoje já vi todo o movimento que está sendo feito para as coisas serem acertadas, que encontrem uma solução para o que tem pendente. Todos os problemas, atraso de salário, não podem ser uma muleta para os jogadores. Não pode ser muleta para ninguém. Eu fui campeão com salário atrasado. Fomos campeões da Copa do Brasil com salários atrasados. Isso não é normal. Em nenhuma profissão isso é normal. Mas entendemos o momento”, falou Rafinha.
“Respeitando todos, não podemos nos apoiar nisso. Crise política, salário atrasado… Não. Sei o que cada um pode render e entregar dentro de campo. Sabemos que isso incomoda, mas esse é meu papel também. Temos de fazer as coisas andarem. E a recuperação começa com vitória, desempenho, atitude, postura. Esse é o meu trabalho. Vai ter essa mudança de postura e atitude. Esse momento não vai acabar amanhã, é um processo e demora. Eu vou tentar tirar essa muleta”, decretou.
Desde o final de 2025, o São Paulo figura mais nas páginas policiais do que esportivas, devido a escândalos e acusações com alguns de seus dirigentes, muitos já fora do clube, como o ex-presidente Julio Casares.
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A torcida cansou de acreditar em mentiras e promessas infundadas da diretoria tricolor e perdeu a confiança nos homens que comandam o clube. Mas Rafinha pediu um voto de confiança, citando sua credibilidade construída ao longo da carreira como jogador.
“Eu confio nas pessoas que estão aqui. Eu conheço o caráter de cada um aqui. Conheço a diretoria, o departamento de futebol, os funcionários todos. O torcedor tem todo direito de acreditar ou não acreditar. Mas estou aqui. Estou colocando minha cara aqui porque conheço as pessoas que estão aqui. Tenho certeza que os torcedores conhecem o Rafinha, sempre passei muita credibilidade, nunca tive um arranhão na minha imagem”.
“Se eu estou colocando minha cara aqui, é porque eu confio nas pessoas. Peço que o torcedor entenda esse momento. Sem o torcedor, o São Paulo não anda. Vivi isso como jogador e agora como gerente esportivo. Essa desconfiança vai existir. Sabemos que não é da noite para o dia que vão tirar, mas peço que confie. Não sou salvador da pátria. Mas vim ajudar”, falou o tricolor.
Veja outros assuntos abordados por Rafinha em sua apresentação:
LARGOU O SOSSEGO
“Esse momento é muito bom, porque eu estava bem tranquilo na minha casa. Nunca deixei de acompanhar. Todo mundo sabe que sou são-paulino. Nunca fiz média com ninguém, isso não faz parte do meu caráter. Mas é uma confusão boa. Eu gosto de estar no vestiário, no estádio, esse ambiente. Eu não podia deixar de estar aqui, de viver esse momento”.
“Momento difícil é para pessoas grandes. Estava muito confortável em casa. Com tempo para tudo. Mas não era isso que eu queria. Queria estar aqui. Agradeço ao pessoal da TV Globo. Mas eu nasci dentro do campo, vivi minha vida toda assim”.
RESGATE DA CONFIANÇA E DO MORUMBI
“Jogador brasileiro é muito diferente das outras culturas, outros jogadores do mundo inteiro. Essa confiança vai ser resgatada. Conheço todos eles. Às vezes uma derrota no clássico custa caro. O Morumbi não pode ser mais um jogo normal, mais um estádio normal para quem jogar contra o São Paulo. O São Paulo é muito forte dentro de casa. Tem que ser assim. Vai ser assim”.
ATÉ O BAYERN VAI AJUDAR
“Todo mundo sabe o quanto sou chato e como fui chato como jogador. Os jogadores mesmos sabem. Todo mundo sabe como eu sou. Eu sou muito chato. Acho que a Alemanha me deixou desse jeito. Ser bem disciplinado. Vou estar sempre buscando conhecimento. Tenho muita abertura na Alemanha. Conversei com os diretores do Bayern de Munique sobre esse novo desafio”.
“E todos eles me deixaram bem claro. No que for preciso vão me apoiar. No que tiver de informação, de coisa nova para implementar, eu vou estar sempre disposto. Ou até ir para lá. Não só na Alemanha. Trabalhei com tantos treinadores e dirigentes”.










