Diretor de Juvenal e mentor da reforma do Estatuto: o novo nome da oposição para ser vice de Marcelinho

Eduardo Alfano posa no Morumbi (Reprodução)

Depois da queda de Carlos Sadi por conta de declarações preconceituosas em uma entrevista, a oposição do São Paulo está próxima de fechar o nome de Eduardo Alfano para ser o vice na chapa que levará o nome de Marcelinho Portugal Gouvêa para as próximas eleições a presidente do clube, previstas para dezembro.

A informação foi divulgada inicialmente pelo portal ‘UOL‘. Conforme o AVANTE MEU TRICOLOR apurou, o nome de Alfano foi sugerido em consenso com os grupos políticos da chamada ‘oposição raiz’ (que são contrárias à gestão desde os tempos de Julio Casares) e conta com os bons olhos de Olten Ayres de Abreu, presidente do Conselho Deliberativo e um dos principais fiadores da campanha de Marcelinho (Sadi era do seu grupo político).

Alfano recentemente teve o nome conhecido pela torcida por ter sido o presidente da comissão que formulou a reforma estatutária, mas é um velho conhecido dos corredores do Morumbi. No quarto e último mandato de Juvenal Juvêncio foi diretor de relações internacionais e vice-presidente de comunicações e marketing, quando trabalhou ao lado de… Julio Casares.

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Apesar do currículo, contudo, Alfano sempre esteve mais alinhado com a oposição que com a situação. Em 2014, por exemplo, próximo de Marco Aurélio Cunha, mesmo sendo diretor de Juvenal, apoiou Kalil Rocha Abdalla nas eleições que terminaram com Carlos Miguel Aidar vitorioso. No ano seguinte, foi sondado pelo então presidente para assumir o futebol profissional substituindo Ataíde Gil Guerreiro, mas declinou da oferta por discordâncias com a gestão.

De perfil ponderado e respeitado internamente no Conselho, Alfano constantemente foi convidado para ocupar cargos nas gestões seguintes, de Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, e Casares. Em maio, ao portal ‘Globo Esporte‘, manifestou ser favorável a uma SAF no Tricolor. Não à toa são suas as propostas de flexibilização no Estatuto na reforma derrotada que permitiram maior facilitação de estudos para se implantar o modelo no clube.

A ficialização do nome de Alfano deve ser feita nos próximos dias, a reportagem apurou.

Estrutura da Chapa e Divisão dos Cargos

Com a entrada de Alfano na chapa, a distribuição das candidaturas aos órgãos colegiados do clube pela posição ficaria desenhada da seguinte forma:

Presidência da Diretoria Executiva: Marcelinho Portugal Gouvêa

Vice-Presidência Executiva: Eduardo Alfano

Presidência do Conselho Deliberativo: Fábio Mariz

Vice-Presidência do Conselho Deliberativo: Caio Forjaz

Indicações ao Conselho de Administração: Flávio Marques e Daurio Speranzini

A unificação dos grupos de oposição põe fim às indefinições provocadas pela pré-candidatura lançada e fracassada de Rogério Caboclo e cria um bloco coeso de oposição. A presença de nomes como Fábio Mariz e Caio Forjaz na chapa do Conselho Deliberativo, somada às indicações de Flávio Marques e Daurio Speranzini para o Conselho de Administração, sinaliza um movimento estratégico para garantir governança e representatividade nos principais centros de decisão do Morumbi.

Com a chapa formalizada, a oposição passa a focar na captação de votos entre os 260 membros do Conselho Deliberativo (160 vitalícios e 100 eleitos), enquanto aguarda o desfecho das votações da Reforma Estatutária para definir as diretrizes finais da campanha.

A Queda de Carlos Sadi

A entrada de um novo nome para a chapa de oposição do São Paulo foi antecipada pelo AVANTE MEU TRICOLOR no início do mês, diante da repercussão negativa causada por declarações de teor elitista e preconceituoso do conselheiro Carlos Sadi.

Embora a indicação de Sadi não estivesse oficializada, o movimento acirrou os debates internos e gerou manifestações públicas de repúdio por parte do pré-candidato vindo desde seu principal aliado político, Olten Ayres de Abreu, presidente do Conselho Deliberativo e de grupos que compõem o bloco oposicionista, incluindo o seu próprio.

As declarações causaram forte mal-estar e foram rebatidas por lideranças do clube:

Marcelinho Portugal Gouvêa (Candidato à Presidência): Repudiou o teor da entrevista, ressaltando que a chapa não foi lançada oficialmente. “Sadi é uma pessoa que respeito e que está ao nosso lado na defesa ao São Paulo, mas que foi infeliz em suas colocações. Discordo do conteúdo das falas. Em relação à candidatura, cabe lembrar que não houve definição final quanto aos nomes, tampouco lançamento oficial.”

Olten Ayres de Abreu (Presidente do Conselho Deliberativo): Integrante do grupo Força São Paulo, Olten frisou que a indicação de Sadi não havia sido avalizada pelo coletivo e rechaçou a postura elitista. “A tradição do São Paulo não pode ser usada para justificar elitismo ou desqualificar pessoas por sua condição social. Ninguém é menos são-paulino por morar em Itaquera, em Paraisópolis ou em qualquer outro lugar.”

Grupo Salve o Tricolor Paulista (STP): Em nota, o grupo oposicionista classificou as falas como “infelizes e politicamente incorretas”, afirmando que foram manifestadas de forma estritamente pessoal, mas informou que o conselheiro demonstrou arrependimento após conversas com os coordenadores.

As declarações de Carlos Sadi

As falas foram proferidas no último dia 26 de agosto, em entrevista ao vivo ao canal ‘São Paulo Digital. Ao criticar a atual estrutura política e o perfil de membros do clube, o conselheiro fez referências pejorativas a bairros e classes sociais:

“O São Paulo perdeu o glamour. ‘Ah, mas você é saudosista?’, não. (…) Se eu não tivesse glamour, eu ia torcer pro Corinthians e morar em Itaquera, me desculpa. Eu sou mesmo elitista (…). Agora, você botou o baixo clero pra trabalhar aqui dentro, velho. Desculpa, você casou com a mulher de Paraisópolis e a família inteira está morando com você, deu pra entender?”

Sadi também teceu críticas pejorativas à idade e ao comportamento de colegas de Conselho durante a votação da reforma estatutária, referindo-se a eles como “Matusaléns” e comparando-os a “caiçaras que trabalham pra mim no Guarujá”. Em outro momento, questionou a composição política do órgão:

“O que eles [situação] fizeram: vamos eleger sujeitos que escrevem exceção com X, outros gostam de dois pães com mortadela, e assim vai. Então você controla o Congresso a seu favor.”

Posição de Sadi e indefinções na chapa

Em sua defesa, Carlos Sadi reconheceu o erro na forma de expressão e alegou ter sido mal interpretado quanto ao objetivo de sua crítica:

“Foi um equívoco. Fui mal interpretado, o mundo mudou. Quis dizer que o pessoal que se apoderou do clube não teve a dimensão da história e do tamanho do clube, mas não soube me expressar. Caso superado.”

Apesar da retratação, a permanência de Sadi como nome para a vice-presidência está praticamente descartada. Os grupos de oposição devem alinhar nos próximos dias a definição sobre a indicação de um novo nome para compor a chapa ao lado de Marcelinho Portugal Gouvêa antes do anúncio oficial do pleito.

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