Com risco de rejeição por gestão Massis, Olten adia votação de reforma do Estatuto no São Paulo

Olten Ayres, durante entrevista coletiva no ano passado (Reprodução)

Em meio ao impasse criado com a gestão Harry Massis, que promete votar contra, como revelou o AVANTE MEU TRICOLOR, o Conselho Deliberativo do São Paulo decidiu adiar para o dia 24 de agosto a votação da proposta de reforma do estatuto social do clube.

A determinação foi anunciada pelo presidente do órgão, Olten Ayres de Abreu Júnior, que atendeu a solicitações de conselheiros por um prazo ampliado de análise do texto.

Apesar do adiamento do pleito, o cronograma previa inicialmente debates e deliberações em data única. Com a alteração, a sessão do dia 17 de agosto será mantida exclusivamente para a apresentação de esclarecimentos e discussão dos pontos centrais da matéria.

“A reunião do Conselho Deliberativo para discussão e votação da proposta de reforma estatutária foi transferida para 24 de agosto, após pedidos de conselheiros por mais tempo para análise e aprofundamento do conteúdo. A agenda de 17 de agosto será mantida, com foco em debates, esclarecimentos e discussão dos principais pontos da proposta, ampliando o espaço para manifestação dos conselheiros antes da deliberação”, informou Olten Ayres em nota.

AS ÚLTIMAS DO TRICOLOR:
>> São Paulo x Coritiba: onde assistir, horário e ingressos vendidos para o próximo jogo pelo Brasileirão
>> São Paulo conhece datas dos jogos com Bragantino e Atlético-MG em casa no Brasileirão: veja onde assistir
>> Já tem show no Morumbi para 2027: Foo Fighters fará apresentação no estádio do São Paulo em fevereiro
>> CARAS DE PAU: Após fazer o mesmo contra o São Paulo, Coritiba consegue liminar para reduzir preço de ingressos
>> Sem apoio, Caboclo pode deixar disputa às eleições e Marcelinho ganha força como candidato da oposição

Enrolado

A crise financeira e a fervura política no São Paulo ganharam novos e decisivos capítulos. Em meio à revelação de que o balanço semestral apontou um déficit de R$ 215 milhões no primeiro semestre — elevando a dívida consolidada do clube para a marca de R$ 1,1 bilhão —, a diretoria busca alternativas de alívio orçamentário. Contudo, a assinatura da carta de intenções para que a estadunidense Ticketmaster assuma a operação de ingressos a partir de 2027 virou moeda de troca no cenário político do Morumbi.

Grupos da base aliada da gestão (Legião, Participação, Vanguarda, Sou Tricolor e Sou São Paulo) articulam condicionar a liberação e aprovação do novo contrato comercial à votação da Reforma Estatutária.

Inicialmente propensos a barrar o texto da Reforma Estatutária por interpretarem que a proposta conta com forte influência do presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior — o que tornaria sua aprovação uma vitória política do primncipal rival político do momento —, os grupos da situação passaram a utilizar a liberação do contrato com a Ticketmaster como trunfo nas negociações.

O movimento vem em resposta às barreiras impostas pela própria presidência do Conselho. Olten Ayres sinalizou a intenção de criar comissões internas para devassar todo o processo de concorrência da nova tiqueteira, com análise das propostas concorrentes (como a da empresa NewC), da confecção do edital e de eventuais vínculos entre membros da diretoria e a multinacional.

Mesmo sob a pressão de aliados do presidente Harry Massis para que a deliberação ocorra em ritmo de urgência, a tendência de bastidor é que a apuração e o trâmite no Conselho se desdobrem por, no mínimo, dois meses.

Modernização Institucional em Risco

Apesar da disputa de narrativas entre situação e oposição, analistas e conselheiros independentes apontam que o travamento da Reforma Estatutária representa um retrocesso para as pretensões de governança do São Paulo. Os pontos centrais da proposta visam justamente modernizar a gestão do clube e estipular travas contra o endividamento desenfreado.

Diante do rombo bilionário recém-revelado nas contas tricolores, a aprovação das novas diretrizes estatutárias é vista por especialistas em gestão esportiva como a única via viável para restabelecer a credibilidade do São Paulo e abrir caminho para a solução estrutural de seus problemas financeiros.

Foco na Governança e Transparência

A proposta de revisão estatutária vem sendo gestada nos últimos meses como uma resposta às pressões por modernização administrativa e maior responsabilidade fiscal.

Entre os eixos centrais do projeto estão:

Reestruturação do Conselho de Administração: Aumento na proporção de membros independentes para mitigar a influência política nas decisões operacionais.

Novas regras de remuneração: Reformulação nos critérios de compensação financeira dos administradores executivos e conselheiros.

Mecanismos de controle interno: Aperfeiçoamento das travas de governança e limitação ao endividamento.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *