O Conselho Deliberativo do São Paulo reprovou integralmente todos os itens da reforma estatutária.
Todas as propostas divididas em 12 blocos temáticos foram derrotadas nas urnas, sacramentando uma vitória expressiva da base aliada à atual gestão Harry Massis, que articulou o voto contrário e tornou a aprovação das matérias inviável à oposição, que defendia as mudanças e tem maior número no órgao.
O pleito registrou alta mobilização política, contando com a participação de 238 dos 255 conselheiros aptos (93,33% de assiduidade). Em nenhum dos temas colocados em pauta os votos favoráveis conseguiram superar a margem de rejeição.
A maior margem de derrota ocorreu no bloco considerado o mais sensível e polêmico da pauta: a proposta de estudo de viabilidade para eventual transformação do São Paulo em sociedade empresária (SAF). O item foi rechaçado por 136 votos contrários (57,14%) frente a 99 favoráveis (41,60%), evidenciando a forte resistência interna a qualquer aceno de alteração no modelo associativo do clube.
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Resultado detalhado da votação bloco a bloco
A reprovação manteve um padrão de rejeição consistente em todas as pautas submetidas ao plenário:
Estudo de SAF / Sociedade Empresária: 136 votos contrários (57,14%) vs. 99 favoráveis (41,60%).
Conselho de Administração (redução para 8 membros e ampliação de vagas independentes): 131 votos contrários (55,04%) vs. 106 favoráveis (44,54%).
Continuidade de Negócios na Transição de Gestões: 130 votos contrários (54,62%) vs. 104 favoráveis (43,70%).
Governança Robusta: 127 votos contrários (53,36%) vs. 108 favoráveis (45,38%).
Compliance e Ouvidoria: 126 votos contrários (52,94%) vs. 109 favoráveis (45,80%).
Conselho Fiscal: 126 votos contrários (52,94%) vs. 109 favoráveis (45,80%).
Compatibilização Judicial: 126 votos contrários (52,94%) vs. 110 favoráveis (46,22%).
Orçamento Real: 125 votos contrários (52,52%) vs. 110 favoráveis (46,22%).
Transparência: 125 votos contrários (52,52%) vs. 110 favoráveis (46,22%).
Responsabilização de Dirigentes: 123 votos contrários (51,68%) vs. 111 favoráveis (46,64%).
Comunicação de Balancetes: 123 votos contrários (51,68%) vs. 112 favoráveis (47,06%).
Recursos Digitais: 122 votos contrários (51,26%) vs. 112 favoráveis (47,06%).
Com o resultado, o atual texto estatutário permanece inalterado e qualquer nova tentativa de revisão constitucional fica postergada para os próximos ciclos políticos do clube.
Tensão de bastidores, rombo financeiro e fatiamento da votação no Morumbi
A deliberação no Conselho Deliberativo ocorre em um clima de forte ebulição política e instabilidade orçamentária. O início da apreciação das matérias foi postergado por dois encontros anteriores devido a divergências metodológicas e à solicitação de mais tempo de estudo.
Ao todo, o pacote engloba 54 propostas de alteração constitucional, que foram agrupadas em 12 blocos temáticos para apreciação individualizada, o que abre a possibilidade de aprovação parcial dos itens.
As discussões ganham traços dramáticos no contexto financeiro do clube. O São Paulo registrou um déficit de R$ 215 milhões no balanço do primeiro semestre, patamar que elevou a dívida consolidada do clube a um montante de R$ 1,1 bilhão.
Nos bastidores, o debate estatutário transformou-se em um cabo de guerra política entre a diretoria do clube e o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior — apontado como o articulador de propostas que visam descentralizar e restringir os poderes da presidência executiva.
Em retaliação, aliados de Massis chegaram a envolver negociações de receitas operacionais, como a assinatura da carta de intenções com a operadora de ingressos Ticketmaster, usando a votação como instrumento de barganha em resposta a tentativas do Conselho de auditar o processo licitatório que renderia antecipação de R$ 140 milhões aos cofres do clube.











